Ex-secretária de Canoas é indiciada por estelionato envolvendo eutanásia de animais junto a mais três investigados

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Operação “Carrasco” resulta em indiciamento de envolvidos em esquema de maus-tratos a animais em Canoas.

A 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, indiciou quatro pessoas por crimes que incluem maus-tratos a animais e estelionato. O inquérito, agora encaminhado à Justiça, revelou a participação de uma ex-secretária municipal, seu esposo, uma veterinária e uma policial civil em um esquema que promovia a eutanásia de cães e gatos para desviar recursos obtidos em arrecadações fraudulentas.

No dia 15 de junho, as autoridades realizaram a segunda fase da operação “Carrasco”, que resultou em três prisões preventivas e 12 mandados de busca e apreensão. Durante a operação, foram confiscados celulares, computadores e outras evidências, além de um cão debilitado, que estava sendo utilizado em campanhas de arrecadação nas redes sociais.

Segundo as investigações, os animais resgatados frequentemente eram enviados para eutanásia quando ainda havia possibilidades de tratamento, conforme apontado pela Polícia Civil. As apurações começaram em setembro de 2025, com foco na ex-titular da Secretaria Especial de Bem-Estar Animal de Canoas. Naquela ocasião, foram realizadas buscas em diversas localidades, incluindo a sede da secretaria e a residência da investigada.

Desde 2020, a principal implicada havia arrecadado cerca de R$ 672,6 mil por meio de 549 campanhas de financiamento, envolvendo quase 15 mil doadores. As investigações estão em andamento para determinar o número total de animais afetados pelo que foi definido como “eutanásia financeira”.

A delegada responsável, Luciane Bertoletti, ressaltou a importância de identificar os animais que desapareceram, buscando registros de microchips que possam revelar quantos foram sacrificados indevidamente. A análise inicial do material apreendido indicou um número alarmante de eutanásias, muito superior ao esperado para os animais resgatados, o que levou à denúncia de irregularidades.

Nos últimos meses, a Polícia Civil intensificou sua investigação sobre essa estrutura que operava fora da legalidade. A análise dos dados coletados até agora sugere uma colaboração direta entre a principal investigada e outros profissionais envolvidos no esquema.

Em um dos casos, a veterinária questionou a ex-secretária sobre a realização de um teste para cinomose antes de considerar a eutanásia de um cão. A autorização para proceder com a eutanásia, sem a confirmação diagnóstica, foi atribuída à ex-secretária, um procedimento que contraria as diretrizes clínicas recomendadas.

Adicionalmente, foi descoberto que, na mesma data em que pedia doações para o tratamento do animal, a investigada autorizava sua eliminação. Essa discrepância levanta suspeitas de que havia uma arrecadação de fundos associada a uma narrativa de cuidado que não correspondia à realidade.

A Polícia Civil destacou que a investigada utilizava sua imagem pública nas redes sociais para ganhar a confiança da população, enquanto seu esquema criminoso continuava em operação, mesmo após sua exoneração do cargo de secretária.

O delegado Cristiano Reschke, da 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana de Canoas, expressou sua indignação diante da manipulação da solidariedade pública: “Desvendamos um cenário de crueldade extrema e manipulação perversa da solidariedade pública. A investigada usava o sofrimento dos animais como uma isca emocional para um esquema de estelionato, enquanto os doadores acreditavam que estavam contribuindo para a cura e o bem-estar dos animais.”

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