Estudo revela que genética e nutrição podem aumentar produtividade do cacau em até 32%

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A pesquisa aponta soluções para aumentar a produtividade do cacau em até 32%

A vassoura-de-bruxa (Moniliophthora perniciosa) é um fungo devastador que afetou as lavouras de cacau no sul da Bahia nos anos 1990. Esta praga, que também foi retratada em novelas, continua a ser um desafio significativo para a produção de chocolate na Amazônia.

Estudos recentes identificaram clones de cacau que apresentam maior resistência à vassoura-de-bruxa, além de demonstrar que o equilíbrio nutricional pode aumentar a produtividade em até 32%, reduzindo a necessidade de fungicidas.

Uma investigação revelou que é viável promover um aumento na produtividade sem depender excessivamente de fungicidas e fertilizantes, desde que as cultivares escolhidas possuam a genética apropriada e mantenham um equilíbrio nutricional, mesmo em solos com desafios.

Realizada na Estação Experimental Frederico Afonso (Ceplac), em Rondônia, a pesquisa avaliou 25 cultivares de cacau e identificou duas que se destacam pelo alto desempenho. Essas variedades mantêm a produtividade elevada, mesmo em solos com baixa fertilidade e sob a pressão da vassoura-de-bruxa, localmente chamada de lagartão.

O levantamento resultou em um aumento de até 32% na produção quando comparado a variedades mais vulneráveis ao fungo.

Os resultados indicam que a combinação de melhoramento genético e manejo nutricional é a abordagem mais sustentável e de longo prazo para a produção de cacau, segundo especialistas da área.

Clones

Dentre os clones analisados, dois se destacaram: o EEOP 63 e o EEOP 65, que combinam alta produtividade de sementes com um maior equilíbrio nutricional e resistência à vassoura-de-bruxa nas condições climáticas da Amazônia.

Um clone é definido como uma população de plantas geneticamente idênticas, originadas de um único indivíduo através de reprodução assexuada.

Os pesquisadores ressaltam a necessidade de investir em estudos amplos na Amazônia para desenvolver novos clones que apresentem alta eficiência nutricional, elevada produtividade e resistência a doenças.

A diversificação dos clones disponíveis é crucial para que os produtores rurais possam enfrentar os desafios atuais na cultura do cacau de maneira sustentável.

Dilema biológico

Tanto o cacau quanto a vassoura-de-bruxa têm origem na Amazônia, e o clima da região, caracterizado por chuvas intensas e alta umidade, favorece o desenvolvimento do fungo.

Além disso, muitos solos na região apresentam desequilíbrios minerais, tornando-se ácidos e carentes de nutrientes essenciais, o que afeta o crescimento das plantas.

O estudo confirma que a tolerância à vassoura-de-bruxa não é uma característica isolada e pode ser influenciada pelo equilíbrio nutricional e pela capacidade produtiva das cultivares sob estresse.

Os clones selecionados apresentaram perfis minerais favoráveis, especialmente altas concentrações de fósforo, potássio, cálcio e magnésio.

Quando enfrentam um ataque, as plantas têm que decidir entre crescer ou resistir ao patógeno. Com a nutrição adequada e a genética apropriada, conseguem realizar ambas as funções simultaneamente.

O solo amazônico

As condições naturais dos solos amazônicos são determinantes para o desempenho das cultivares de cacau. Esses solos são altamente intemperizados e, frequentemente, pobres em nutrientes, impactando a saúde das plantas.

Durante a análise do estado nutricional das plantas, foram identificados padrões de desequilíbrio, como o excesso de nitrogênio e a deficiência de boro. O acúmulo de nitrogênio gera compostos que alimentam o fungo, enquanto a falta de boro compromete a estrutura do cacaueiro.

A pesquisa apontou uma tendência clara de deficiência em nutrientes essenciais, especialmente boro, que é fundamental para a integridade das células e processos reprodutivos.

Diante desse contexto, os resultados sugerem que um equilíbrio nutricional não apenas diminui a vulnerabilidade à vassoura-de-bruxa, mas também assegura a capacidade produtiva das plantas mesmo sob estresse.

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