EUA elevam computação quântica à prioridade nacional com expectativa de avanços até 2028
Os EUA priorizam a computação quântica em resposta à concorrência com a China.
Os Estados Unidos estão determinados a não perder a corrida pela computação quântica em relação à China, reconhecendo a importância crítica dessa tecnologia para a segurança nacional e a inovação. A computação quântica é vista como um divisor de águas, comparável à relevância dos semicondutores e da inteligência artificial.
A comunidade científica já alerta que as tecnologias de criptografia atuais se tornarão obsoletas com o advento do hardware quântico em larga escala. Estima-se que um computador quântico com menos de meio milhão de qubits físicos consiga decifrar algoritmos usados por criptomoedas em questão de minutos, evidenciando o potencial disruptivo dessa tecnologia.
Diante desse cenário, o governo dos EUA, sob a liderança de Donald Trump, assinou duas ordens executivas que elevam a computação quântica a uma prioridade estratégica nacional. A primeira ordem visa desenvolver um computador quântico robusto para pesquisa científica até 2028, enquanto a segunda estabelece a migração dos sistemas civis do governo federal para criptografia pós-quântica até 2031, antecipando o prazo anterior em quatro anos.
“Vamos investir na liderança quântica americana como nunca antes”, afirmou Trump durante a assinatura das ordens. O diretor do Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca, Michael Kratsios, destacou a expectativa de que um computador quântico capaz de realizar pesquisas científicas esteja disponível em 2028, marcando o início de uma nova era para as capacidades comerciais.
Essas ordens executivas surgem após o Departamento de Comércio anunciar um pacote de incentivos financeiros de US$ 2 bilhões para empresas do setor, no âmbito da Lei CHIPS e Ciência. O texto da primeira ordem, “Inaugurando a Próxima Fronteira da Inovação Quântica”, enfatiza que os EUA estão à beira de uma revolução quântica.
O Escritório de Política Científica e Tecnológica coordena a estratégia governamental, envolvendo diversos departamentos e agências, com o objetivo de garantir a liderança americana sobre a China em uma tecnologia que pode revolucionar áreas como inteligência artificial, ciência dos materiais e química. O decreto também exige que o Pentágono implemente sensores quânticos até 2028, com aplicações militares significativas, como navegação em áreas de conflito e detecção de atividades subterrâneas.
A segunda ordem executiva é ainda mais urgente, com a necessidade de proteger sistemas governamentais e financeiros contra potenciais ameaças de computadores quânticos de grande escala. A meta de 2031 para a migração para algoritmos pós-quânticos, validados pelo Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST), é uma tentativa de se antecipar a um cenário onde a criptografia atual se torne vulnerável.
Agências que não cumprirem o prazo estabelecido deverão justificar sua posição ao Escritório de Administração e Orçamento da Casa Branca. Os padrões pós-quânticos já estão disponíveis, e a corrida atual é mais administrativa do que técnica, exigindo ação antes que a vulnerabilidade se torne uma realidade.
