Wagyu: a carne japonesa que pode custar até R$ 1 mil o quilo
O wagyu, carne de alto valor, é uma tradição japonesa que ganhou espaço no Brasil.
O Japão, famoso por sua cultura rica e culinária refinada, é também o lar do wagyu, uma raça de gado conhecida por produzir a carne mais cara do mundo. No Brasil, o preço do quilo pode ultrapassar R$ 1.000, refletindo a exclusividade e a qualidade desse produto.
A fama do wagyu está diretamente relacionada ao seu marmoreio, que se refere à gordura intramuscular que confere à carne um aspecto similar ao mármore, além de proporcionar uma maciez inigualável.
Entre as variedades de wagyu, o Kobe Beef se destaca. Para ser classificado como tal, o animal deve nascer, crescer e ser abatido na província de Hyogo, Japão, seguindo critérios rigorosos de qualidade.
No Brasil, são oferecidos diversos cortes de wagyu, como picanha, ancho e chorizo. O preço varia conforme o nível de marmoreio: quanto maior a quantidade de gordura entremeada, maior o custo.
Tratamentos especiais e suas origens
O wagyu ficou famoso por receber cuidados especiais, como a alimentação com cerveja e massagens. Embora essa prática tenha sido comum no Japão, atualmente não é mais a norma nas fazendas de criação.
Acreditava-se que a cerveja ajudava na digestão e proporcionava relaxamento ao animal, enquanto a massagem auxiliava na infiltração de gordura, essencial para o marmoreio. No entanto, essas práticas não são cientificamente comprovadas.
O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos da Raça Wagyu (ABCWagyu) argumenta que a maciez e o sabor da carne são, na verdade, frutos da genética do wagyu. Para maximizar essas características, é fundamental oferecer uma dieta balanceada, rica em amido.
Os grãos ricos em amido, como milho e cevada, são essenciais na alimentação dos wagyu. Mesmo que os bois não consumam cerveja diretamente, podem receber sobras da indústria cervejeira como parte de sua dieta.
História e chegada ao Brasil
O nome wagyu significa “gado do Japão”. Os ancestrais do wagyu moderno chegaram ao Japão por volta do século II, provenientes da península coreana, e eram usados como bois de tração.
Esses animais, devido à sua força e resistência, desenvolveram a característica que os tornou famosos: a alta quantidade de gordura entre as fibras musculares.
O rebanho permaneceu isolado até 1868, quando a Restauração Meiji impulsionou o desenvolvimento do wagyu moderno, com cruzamentos com raças importadas.
Os primeiros exemplares de wagyu deixaram o Japão em 1976, rumo aos Estados Unidos, e na década de 1990, a raça começou a se espalhar pelo mundo, chegando ao Brasil em 1992, trazida por uma das fundadoras da marca Yakult.
Atualmente, o Brasil conta com um rebanho que inclui tanto animais puros quanto cruzados. Segundo a ABCWagyu, o país possui cerca de 5 mil wagyus puros e outros 30 mil cruzados, consolidando-se como um importante produtor dessa carne premium.
