Salário de CTOs cresce mais rapidamente que o de CEOs com avanço da inteligência artificial
CTOs experimentam valorização salarial superior a CEOs, refletindo nova dinâmica no mercado de tecnologia.
Entre 2024 e 2025, os Chief Technology Officers (CTOs) no Brasil registraram uma valorização salarial de 15,2%, superando o crescimento de 13,7% dos Chief Executive Officers (CEOs). Essa mudança destaca o papel crescente da liderança técnica como um eixo crucial nas decisões empresariais.
Um levantamento recente analisou dados de consultorias de recrutamento e informações públicas, focando em executivos de multinacionais de diferentes portes. O estudo abrange profissionais com 15 a 20 anos de experiência, formação superior e MBA, na faixa etária de 38 a 50 anos. A pesquisa revelou que a inteligência artificial (IA) é o principal motor de aceleração salarial no setor de tecnologia.
Apesar da valorização dos CTOs, eles ainda não superaram os CEOs em termos absolutos de remuneração. Em algumas situações, um CTO pode ter um crescimento salarial mais rápido que um CEO ou COO, mas a remuneração do CEO continua sendo a mais alta.
A discussão entre departamentos de Recursos Humanos e conselhos administrativos gira em torno da valorização salarial dos CTOs. É uma tendência duradoura ou apenas um efeito temporário impulsionado pelo hype da IA?
Para Alexandre Benedetti, diretor-geral da LANDTech, a resposta a essa questão exige uma análise cuidadosa. Ele observa que essa valorização está ligada à dinâmica de oferta e demanda, especialmente em um cenário de aceleração da IA e escassez de líderes qualificados. Contudo, Benedetti ressalta que essa valorização se aplica apenas aos CTOs que conseguem transformar tecnologia e inovação em resultados tangíveis para os negócios.
O perfil mais valorizado atualmente é o do CTO que atua como estrategista, conectando IA, eficiência operacional e criação de valor. Esse profissional agora participa ativamente das decisões mais críticas nas empresas, ao lado do CEO.
Paulo Saliby, sócio e fundador da SG Comp Partners, destaca que a valorização dos CTOs segue tendências históricas de valorização em outras áreas corporativas, como finanças e vendas, em momentos de crise ou expansão. Ele acredita que o cargo de CTO foi reposicionado de forma permanente, com uma expectativa de valorização que se estabilizará em um novo patamar.
Lacuna entre expectativa e realidade na retenção
A valorização dos CTOs é inegável, mas a gestão dessa remuneração no Brasil ainda enfrenta desafios. A pesquisa indica que 72,6% dos executivos de tecnologia valorizam bônus de retenção, mas apenas 31,1% os recebem, resultando em uma lacuna significativa que pode levar empresas a perder talentos para concorrentes mais organizados.
Benedetti aponta que a distância entre expectativa e realidade é influenciada por fatores como cultura organizacional e visão estratégica. Ele observa que muitas empresas ainda tratam a retenção de forma reativa, quando o executivo já recebeu uma proposta, em vez de implementar uma estratégia proativa de gestão de talentos.
Saliby acredita que a solução para a retenção de talentos não deve se limitar ao salário fixo. Ele sugere uma abordagem de remuneração total que inclua salário fixo competitivo, bônus de contratação, bônus anual atrelado a resultados e incentivos de longo prazo. Esses componentes são essenciais para atrair e reter executivos em um mercado competitivo.
Fim da retenção por tempo de casa
A antiga lógica de permanência em uma empresa como virtude está se tornando obsoleta, especialmente para executivos de tecnologia. Para esses profissionais, a permanência é valiosa apenas se acompanhada de aprendizado, desafios e impacto.
Agora, as empresas adotam uma abordagem prospectiva, focando em reter talentos críticos para o futuro. Os incentivos de longo prazo são fundamentais nessa nova lógica, permitindo que as empresas mantenham executivos essenciais para ciclos de crescimento e inovação.
No entanto, um pacote financeiro robusto não é suficiente se o ambiente de trabalho não permitir que os executivos realizem transformações significativas. Profissionais de alto nível buscam ferramentas adequadas, equipes competentes e um ambiente propício para influenciar a estratégia da empresa.
Novo perfil do CTO
Os processos seletivos para CTOs têm evoluído, priorizando não apenas a experiência técnica, mas também competências como visão de produto, proximidade com o cliente e capacidade de influenciar stakeholders. Essas habilidades agora são essenciais para um CTO que deseja ter um papel ativo nas discussões estratégicas da empresa.</
