Polícia Federal inicia nova fase de operação contra irregularidades na saúde no Rio de Janeiro
Operação Anáfora da Polícia Federal mira lavagem de dinheiro no Rio de Janeiro
A Polícia Federal iniciou, na manhã desta terça-feira, a segunda fase da operação Anáfora, focando na investigação de lavagem de dinheiro relacionada ao desvio de recursos públicos, especialmente aqueles destinados à saúde.
Durante a operação, estão sendo cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em locais associados aos investigados, abrangendo o Rio de Janeiro, Niterói e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. A Justiça Federal emitiu 10 mandados pela 6ª Vara Criminal do Rio e 4 pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região.
A divisão dos mandados reflete a interpretação atual do Supremo Tribunal Federal, que garante a prerrogativa de foro a certas autoridades mesmo após o término de seus mandatos.
A primeira fase da operação Anáfora ocorreu em setembro de 2022, resultando em 27 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos estavam políticos e empresários, incluindo um ex-prefeito de Duque de Caxias. Durante a campanha eleitoral, um dos candidatos foi substituído por outro após a deflagração da operação.
Na época, a Polícia Federal e a Controladoria Geral da União investigavam indícios de favorecimento na contratação de uma cooperativa pela Secretaria de Saúde de Duque de Caxias, cujo contrato totalizou mais de R$ 563,5 milhões em um período de pouco mais de dois anos.
Um dos empresários envolvidos já havia sido denunciado em investigações anteriores sobre desvios durante a gestão de um ex-governador. A PF indicou que a cooperativa sob investigação na operação Anáfora estaria ligada a uma organização criminosa estruturada voltada para o desvio de recursos públicos na área da saúde.
Na fase atual da operação, a PF identificou indícios de que os investigados mantinham bens em nome de terceiros e realizavam despesas incompatíveis com suas rendas declaradas, além de estarem envolvidos em negociações de imóveis.
Os investigados poderão enfrentar acusações de organização criminosa, fraude em licitação e lavagem de dinheiro, com a possibilidade de surgirem outros crimes durante o andamento das investigações.
O nome da operação, Anáfora, faz alusão a uma figura de linguagem que envolve a repetição de palavras ou expressões, simbolizando a repetição de práticas fraudulentas na criação de empresas e na celebração de contratos com o setor público.
