Estudo revela que ChatGPT classifica brasileiros do Sudeste como mais inteligentes e inferioriza regiões Norte e Nordeste
Estudo revela preconceitos do ChatGPT sobre inteligência e beleza em diferentes regiões do Brasil.
Um estudo recente realizado por pesquisadores da Universidade de Oxford aponta que o ChatGPT, ferramenta de inteligência artificial da OpenAI, apresenta informações preconceituosas em suas respostas relacionadas a diferentes regiões do Brasil.
Intitulado “The Silicon Gaze (O Olhar de Silício)”, o estudo analisa 20,3 milhões de consultas feitas ao ChatGPT, com foco em três países: Brasil, Estados Unidos e Reino Unido. Os resultados revelam uma classificação desigual entre as regiões, refletindo estereótipos negativos.
De acordo com a pesquisa, moradores de São Paulo e Minas Gerais foram considerados “mais inteligentes” pela IA, enquanto o Maranhão e o Amazonas receberam classificações significativamente inferiores, sendo considerados “menos inteligentes” em comparação com as regiões mais valorizadas.
Além disso, o estudo também questionou o que o ChatGPT considera como “beleza” em áreas urbanas. Em uma consulta que envolveu metrópoles como Londres, Nova York e Rio de Janeiro, o sistema favoreceu bairros com maior população branca, colocando Ipanema, Leblon e Copacabana como os mais bonitos no Rio de Janeiro.
Os autores do estudo destacam que o ChatGPT perpetua uma associação histórica que liga a branquitude e a riqueza à beleza, enquanto áreas de maior pobreza e diversidade racial são vistas como menos atraentes.
Para exemplificar, o ranking de bairros cariocas, segundo a IA, coloca Ipanema no topo como o bairro com as pessoas “mais bonitas”, enquanto Complexo da Maré e Bangu figuram entre os menos bonitos.
No campo cultural, o Brasil, junto com a Nigéria, foi classificado como tendo a “melhor música”, resultado de sua rica diversidade musical que inclui samba, bossa nova e funk. O estudo ressalta que essa identidade musical é amplamente reconhecida e celebrada globalmente.
Os pesquisadores utilizaram um sistema de “pontuação” para criar um ranking comparativo das respostas do ChatGPT, o que evidenciou a necessidade de uma reflexão crítica sobre como as inteligências artificiais podem reproduzir preconceitos existentes na sociedade.
“Esse padrão também corresponde à diferença racial entre regiões, o que está alinhado com as longas histórias de como raça e inteligência percebida foram construídas”, afirmam os pesquisadores.
