Ato no Rio mobiliza pressão sobre Senado para acabar com a 6×1
Manifestantes pedem redução da jornada de trabalho e fim da escala 6×1 no Rio de Janeiro.
A operadora de caixa Fátima Dantas de Souza Alves expressou seu descontentamento durante uma manifestação no Rio de Janeiro, que marcou o Dia Nacional de Mobilização pela redução da jornada de trabalho e pelo fim da escala 6×1. Com apenas 22 anos, Fátima trabalha em pé por oito horas diárias e acredita que a mudança na escala de trabalho, que atualmente oferece apenas um dia de folga por semana, traria “diversos alívios” para sua vida.
Ela enfatizou a importância de ter tempo para cuidar de sua saúde, da casa e da família, afirmando que a falta de tempo de qualidade com os entes queridos é um grande desafio. Fátima sonha em ingressar na faculdade e se tornar professora, mas a rotina exaustiva a impede de alcançar seus objetivos.
A manifestação contou com a participação de centenas de pessoas que, com bandeiras e faixas, percorreram cerca de 6 quilômetros, incluindo trechos da Avenida Brasil, uma das principais vias de acesso ao centro da capital fluminense. A caminhada durou quase duas horas, demonstrando a força do movimento.
Jornada em 21 cidades
A mobilização é parte de um movimento nacional organizado por entidades como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e outras frentes populares.
Atos estão programados para ocorrer em 21 cidades de 14 estados e no Distrito Federal, com o objetivo de pressionar pela tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019. Esta proposta visa reduzir a carga horária semanal de 44 para 40 horas e garantir dois dias de repouso semanal remunerado, sem redução salarial.
Os manifestantes buscam acelerar a tramitação da PEC, que já foi aprovada pela Câmara dos Deputados, mas encontra-se parada no Senado, aguardando a análise do presidente da Casa. Se aprovada sem alterações, a proposta seguirá para promulgação; caso contrário, retornará à Câmara para nova análise.
Recentemente, o presidente do Senado afirmou que a PEC deve ser analisada com calma e que “melhorias” no texto podem ser consideradas. A CUT criou um site para que a população possa pressionar os parlamentares, enviando mensagens em apoio à causa.
O vereador Rick Azevedo, um dos líderes do movimento, classificou o momento atual como “crucial” para os trabalhadores brasileiros e criticou a lentidão do processo legislativo, afirmando que a classe trabalhadora não recuará em sua luta por melhores condições de trabalho.
Apoio da população
O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) destacou que a manifestação recebeu apoio de populares, demonstrando solidariedade a diversas categorias, incluindo motoristas de ônibus que estavam em greve na mesma data.
O presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro reforçou que sua categoria é uma das mais afetadas pela escala de trabalho atual e defendeu que mais dias de descanso resultariam em maior dedicação e produtividade dos funcionários.
Impactos
Estudos recentes têm apresentado opiniões divergentes sobre os impactos da mudança na escala de trabalho na economia brasileira. Enquanto alguns setores argumentam que a redução da carga horária poderia levar a perda de produtividade e aumento da informalidade, outros acreditam que mais dias de folga podem motivar os empregados e estimular o consumo, beneficiando a economia como um todo.