Origem das pedras de curling nas Olimpíadas remete a vulcão de país exótico há 100 anos
O Curling, conhecido como “xadrez no gelo”, tem suas pedras originárias de uma única ilha escocesa.
O Curling é um dos esportes mais intrigantes dos Jogos de Inverno, frequentemente denominado “xadrez no gelo”. Essa designação se deve à combinação de estratégia e precisão que o esporte exige de seus praticantes.
Praticado desde o século 16 em lagos congelados na Escócia, o curling é um jogo de equipe que se desenrola em uma pista de gelo retangular. Os atletas lançam pedras de granito, que pesam cerca de 20 kg e possuem uma circunferência de 910 milímetros, em direção a um alvo conhecido como “casa”.
O objetivo é que as pedras parem o mais próximo possível do centro do alvo. Enquanto um jogador realiza o lançamento, outros dois membros da equipe utilizam vassouras para varrer o gelo à frente da pedra. Essa ação gera calor por atrito, criando uma fina camada de água que diminui a fricção e permite um controle mais efetivo da velocidade e direção da pedra.
A analogia com o xadrez se estabelece não apenas pela necessidade de planejamento, mas também pela importância da estratégia. Os jogadores devem antecipar movimentos e criar barreiras para impedir que as pedras adversárias cheguem ao alvo, destacando que a inteligência tática é crucial para o sucesso no jogo.
A ilha vulcânica que abastece o curling mundial
Ao contrário de muitos esportes, onde os equipamentos são fabricados por diversas empresas, no curling a situação é singular. Quase todas as pedras utilizadas em competições oficiais provêm de uma única origem: a ilha vulcânica de Ailsa Craig, na costa da Escócia.
Com pouco mais de 2 mil km², Ailsa Craig possui um tipo de granito denso, pouco poroso e altamente resistente à água. Essas características são essenciais para garantir que as pedras resistam a impactos constantes e deslizam suavemente sobre o gelo, sem deformações ou rachaduras. A textura do granito escocês assegura peso, equilíbrio e previsibilidade nos arremessos.
Um monopólio de 150 anos
A extração e a fabricação das pedras de curling são controladas por uma única empresa, Kays of Scotland, que opera no setor há mais de 150 anos. Desde 1851, a empresa detém o direito exclusivo de explorar o granito da ilha.
A Kays of Scotland é reconhecida como a fornecedora oficial da Federação Mundial de Curling e das pedras utilizadas nos Jogos Olímpicos de Inverno. Curiosamente, o contrato de exploração se mantém independente de quem seja o proprietário da ilha, que atualmente pertence a David Kennedy, o nono Marquês de Ailsa, cuja família controla a área há cerca de dois séculos.
Quanto custa uma pedra olímpica de curling?
A Kays of Scotland produz cerca de 1.500 pedras por ano, e o preço reflete a exclusividade do produto. Cada pedra tem um custo aproximado de 840 euros (cerca de R$ 5,2 mil). Como uma partida de curling utiliza 16 pedras, o valor total de um conjunto completo pode ultrapassar R$ 80 mil.
