Seca compromete produção de açúcar na França sem expectativa de chuvas
Seca ameaça produção de açúcar na França, elevando preços no mercado europeu.
Uma seca prolongada está colocando em risco a produção de açúcar na França, o principal produtor da União Europeia. As principais regiões de cultivo de beterraba não apresentam previsão de chuvas nas próximas duas semanas, o que gera preocupações entre os produtores e impacta os preços do açúcar.
Recentemente, o preço do açúcar branco subiu quase 10%, alcançando a maior alta em nove meses. Essa elevação é impulsionada não apenas pela seca na França, mas também pelo fenômeno climático El Niño, que afeta a produção em várias partes da Ásia. No início do ano, os preços haviam caído para os níveis mais baixos em cinco anos devido a uma oferta excessiva, prejudicando os lucros das usinas.
A Europa enfrenta uma onda de calor recorde, que já causou um aumento significativo no número de mortes e alterou a rotina dos cidadãos. A previsão é que as altas temperaturas continuem, especialmente na França e na Alemanha.
“A água é fundamental para a beterraba sacarina. Se não chover nas próximas duas semanas, será catastrófico”, afirmou um representante da associação francesa de produtores de beterraba.
A Météo France indica que não há expectativa de chuvas nas planícies de beterraba ao redor de Paris e no norte da França até pelo menos 14 de julho. A situação atual é desigual, com algumas plantações apresentando folhas secas, enquanto outras ainda estão em melhor estado.
A Comissão Europeia, em uma previsão divulgada recentemente, estima que a produção de açúcar da UE para a safra 2026/27 será de 14,13 milhões de toneladas métricas, uma queda de 15% em relação à safra anterior. Essa diminuição é atribuída a uma redução de 9% na área plantada e uma queda de 6,5% na produtividade.
A França deve enfrentar a maior queda na produtividade, mas a Alemanha e a Polônia também devem ver reduções significativas. A seca severa na França continuará a impactar o extremo oeste da Europa nos próximos dias.
Além das preocupações com a seca, os agricultores franceses estão alertas para a propagação da doença do amarelecimento, que se intensificou após infestações de pulgões no início da safra. O vírus causou grandes danos às plantações em 2020, especialmente após a proibição de pesticidas neonicotinóides pela União Europeia, devido a preocupações sobre seu impacto nas abelhas.
A França havia concedido isenções temporárias para o uso desses pesticidas em 2021 e 2022, mas elas foram revogadas após uma decisão do tribunal europeu. Atualmente, o Parlamento francês discute uma nova isenção, que poderá ser incluída em um projeto de lei agrícola mais amplo. A ministra da Agricultura expressou apoio à medida, mas prefere que seja debatida separadamente para evitar riscos ao projeto maior.
Uma decisão final sobre a isenção é esperada ainda este mês, embora chegue tarde para impactar a safra atual, já que os pulgões costumam infectar as plantas na primavera, com os sintomas se manifestando no verão.
