Kassab expande influência sobre recursos da chapa ao lado de Caiado

Compartilhe essa Informação

Gilberto Kassab se torna pré-candidato a vice na chapa de Ronaldo Caiado, influenciando o financiamento eleitoral do PSD.

Gilberto Kassab foi anunciado como pré-candidato a vice de Ronaldo Caiado na corrida presidencial. Com essa nova posição, Kassab assume um papel mais relevante na gestão dos recursos financeiros do PSD, partido que preside.

Embora a mudança não garanta a ele acesso automático ao fundo eleitoral, ela altera significativamente o peso político da candidatura. Kassab, que já tinha influência sobre a distribuição de recursos, agora integra uma campanha que poderá receber verbas definidas pela Executiva do partido que ele lidera.

Em 2026, o PSD terá à disposição R$ 421 milhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, ocupando a quarta maior cota entre os partidos, atrás de PL, PT e União Brasil. A presença de Kassab na chapa de Caiado aproxima o candidato desse montante, aliviando a pressão interna por prioridade no financiamento de deputados e senadores. A formalização dessa chapa ocorrerá na convenção nacional do PSD, marcada para 26 de julho.

O Tribunal Superior Eleitoral deve definir os limites de gastos para as campanhas até 20 de julho. Apesar de o PSD ter uma cota significativa, a campanha de Caiado terá que respeitar os tetos de gastos estabelecidos, além de seguir as normas de prestação de contas e critérios internos do partido.

Os partidos receberão um total de R$ 4,96 bilhões do fundo eleitoral neste ano. Kassab também comanda uma estrutura que, em 2025, recebeu R$ 91,3 milhões do Fundo Partidário, o que reforça sua influência na distribuição de recursos.

A alocação do fundo no PSD não é uma decisão unilateral de Kassab. As regras para distribuição devem ser aprovadas pela maioria da Executiva Nacional e divulgadas publicamente, garantindo transparência no processo. Kassab, como fundador do partido, exerce um controle significativo sobre as decisões internas, mas sua nova função na chapa presidencial aumenta ainda mais seu peso político.

A arrecadação pelo candidato a vice é permitida, desde que realizada com recibos eleitorais do candidato titular. Embora o vice não seja obrigado a abrir uma conta bancária específica, caso o faça, os extratos serão incluídos na prestação de contas da candidatura principal. Importante ressaltar que não há um teto próprio de gastos para o vice; todas as despesas são contabilizadas dentro do limite da candidatura à presidência.

A presença de Kassab é vista como um indicativo de que o PSD pode priorizar a candidatura presidencial em detrimento da eleição de deputados e senadores. Internamente, acredita-se que sua influência fortalece a posição de Caiado e facilita o acesso a recursos do partido.

Contudo, a adesão interna ao projeto ainda apresenta desafios. Durante o anúncio, a presença dos principais líderes do PSD foi limitada, e apenas o líder da bancada na Câmara, Antônio Brito, compareceu. Brito, que apoia Lula, não fez discursos durante o evento.

O PSD conta com seis governadores, mas Caiado ainda não possui um apoio unânime dentro da sigla. Governadores como Raquel Lyra e Fábio Mitidieri têm vínculos com Lula, o que pode complicar a união em torno da candidatura de Caiado.

Kassab ressaltou que os governadores terão liberdade para apoiar outros candidatos, mas expressou a esperança de que participem do comitê de Caiado. Ele também justificou as ausências no evento devido ao calendário eleitoral, que limita a participação de governantes candidatos em inaugurações e anúncios de obras a partir de 4 de julho.

A estratégia do PSD combina considerações eleitorais, controle partidário e financiamento. Embora Kassab não tenha acesso automático ao fundo, sua inclusão na chapa de Caiado estabelece um caminho formal para que a campanha busque prioridade na alocação dos recursos do partido que ele dirige.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *