Vorcaro ordena investigação sobre a vida da jornalista Malu Gaspar

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Mensagens da PF revelam tentativa de investigar jornalista após reportagens sobre o Banco Master.

Diálogos obtidos pela Polícia Federal revelam que Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, solicitou ao publicitário Thiago Miranda a busca por informações pessoais da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo. As conversas, que datam de março e abril de 2025, coincidem com a publicação de reportagens que abordavam investigações sobre a instituição financeira e sua tentativa de venda ao Banco de Brasília.

As mensagens foram extraídas do celular de Vorcaro e estão sob a posse da PF. Em uma das conversas, Vorcaro expressa a necessidade de “frear a Malu Gaspar”, referindo-se a uma entrevista que considerou insatisfatória. Ele menciona a necessidade de encontrar algo “pessoal” sobre a jornalista para desacelerar sua cobertura.

Miranda, por sua vez, respondeu que iria “revirar a vida” de Malu e estava confiante de que encontraria “alguma coisa”. Ele atualizou Vorcaro sobre o progresso das investigações, informando que sua equipe estava em busca de dados, incluindo processos judiciais antigos, informações sobre a carteira de habilitação, familiares, contas bancárias e a renda mensal da colunista.

Além disso, as mensagens mostram que Miranda acompanhava de perto as publicações de Malu sobre o Banco Master. Em uma comunicação datada de 2 de abril, ele encaminhou uma reportagem onde a jornalista afirmava que a instituição não possuía caixa suficiente para honrar compromissos até o final de 2025, comentando: “Ela não para”.

Miranda também compartilhou informações sobre o endereço, veículo e remuneração de Malu. Em outro momento, discutiu com Vorcaro a possibilidade de uma proposta de contratação pelo Grupo LeoDias, com o intuito de interromper a cobertura da jornalista. Vorcaro já havia tentado estabelecer um conglomerado de mídia antes de sua prisão.

Este episódio se insere em um contexto mais amplo de investigações sobre a atuação do grupo de Vorcaro contra jornalistas. Em março, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, mencionou indícios de que o ex-banqueiro havia ordenado a simulação de um assalto com o objetivo de “prejudicar violentamente” o colunista Lauro Jardim, também do O Globo.

Em nota, O Globo repudiou a devassa contra Malu Gaspar, afirmando que a ação visava “calar a voz da imprensa”. O veículo reiterou que seus jornalistas “não se intimidarão” e continuarão a acompanhar o caso de perto.

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