Buzzi recebe oito votos favoráveis em tentativa de barrar sindicância do STJ
Ministro do STJ é alvo de sindicância por suspeita de assédio sexual
O plenário do Superior Tribunal de Justiça (STJ) se reuniu por três horas para deliberar sobre a abertura de um processo de sindicância interna envolvendo o ministro Marco Buzzi, acusado de assediar sexualmente uma jovem de 18 anos em Balneário Camboriú (SC).
A sessão, que foi fechada ao público, contou com a presença de 29 ministros, dos quais 21 votaram a favor da abertura da sindicância, enquanto 8 se manifestaram contra, incluindo Buzzi. Durante a reunião, o ministro negou as acusações, afirmando que soube do caso apenas pela imprensa, mas sua participação foi breve, apresentando sua defesa antes de se retirar do plenário.
O presidente do STJ, ministro Herman Benjamin, conduziu a sessão, onde todos os ministros se pronunciaram. Com a decisão, foi formada uma comissão de sindicância composta pelos ministros Raul Araújo, Isabel Gallotti e Antonio Carlos Ferreira, que terá a responsabilidade de coletar provas e, se necessário, solicitar o afastamento de Buzzi.
O ministro enfrentará um procedimento interno no STJ, além de uma investigação disciplinar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e um inquérito criminal pela Polícia Federal, que já foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, sob a relatoria do ministro Kassio Nunes Marques.
Em resposta à situação, Buzzi anunciou que solicitará licença médica, pedindo ao presidente da Corte um afastamento temporário de suas funções.
ENTENDA
Marco Buzzi, de 68 anos, é acusado de assediar uma jovem de 18 anos durante um encontro na praia em janeiro de 2026. Segundo relatos, a família da jovem, que é amiga do ministro, esteve em sua casa, onde o incidente teria ocorrido durante um banho de mar.
A mãe da jovem, uma advogada influente em Brasília, registrou um boletim de ocorrência e procurou ministros do STJ para relatar o ocorrido e solicitar a responsabilização de Buzzi. A investigação ganhou impulso após três ministras do STJ solicitarem providências ao presidente da Corte.
No dia seguinte, a família da jovem prestou depoimento ao corregedor nacional de Justiça, acompanhado por representantes do Ministério Público Federal e da Polícia Federal. A investigação será conduzida no Supremo, devido à prerrogativa de foro privilegiado dos ministros do STJ.
O QUE DIZ BUZZI
Em nota, o gabinete de Buzzi expressou surpresa com as alegações e repudiou qualquer insinuação de comportamento impróprio.
O QUE DIZ O CNJ
O Conselho Nacional de Justiça informou que o caso está sob sigilo, conforme a legislação brasileira, para proteger a intimidade da vítima e evitar a revitimização. A Corregedoria Nacional de Justiça já colheu depoimentos no âmbito do processo.
O QUE DIZ A FAMÍLIA DA JOVEM
O advogado da família, Daniel Bialski, afirmou que o foco neste momento é preservar a integridade da vítima e sua família, aguardando rigor nas investigações e o devido desfecho nos órgãos competentes.
