Pastor Vítima do Terremoto na Venezuela Retorna ao Brasil para Última Homenagem em Uberlândia

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Família de pastor de Uberlândia inicia campanha para repatriação após morte na Venezuela.

A família de Romildo Batista de Lima, pastor evangélico de Uberlândia, está mobilizando esforços para arrecadar fundos para o translado de seu corpo da Venezuela para o Brasil, após sua morte em decorrência de um terremoto.

O transporte de um corpo do exterior enfrenta uma série de desafios burocráticos e financeiros. Embora uma passagem aérea entre Caracas e Uberlândia custe pouco mais de dois salários mínimos, o traslado de um corpo requer procedimentos específicos, tornando o processo muito mais caro e complexo.

De acordo com informações do Ministério das Relações Exteriores, a repatriação envolve a emissão de documentos consulares, autorizações sanitárias, embalsamamento e a contratação de um serviço funerário especializado. Os custos para esse tipo de translado podem variar entre R$ 30 mil e R$ 200 mil, dependendo da distância e das exigências do país onde ocorreu a morte.

No caso de Romildo, a logística foi ainda mais complicada devido à burocracia para a liberação do corpo e às restrições nas operações aéreas na Venezuela. O Itamaraty informou que o registro consular de óbito é gratuito, mas a legislação brasileira não cobre despesas com embalsamamento, cremação ou translado, exceto em situações excepcionais. Assim, a família teve que arcar com os custos, contando com a ajuda de doações.

O processo de translado de um corpo do exterior para o Brasil é rigoroso. Primeiramente, o óbito deve ser registrado na embaixada ou consulado brasileiro, preferencialmente por um familiar. É necessário apresentar documentos como a certidão de óbito emitida pelas autoridades locais e o documento de identidade do falecido.

A emissão da certidão consular de óbito não tem custo, mas após a emissão, o documento deve ser validado em um cartório de registro civil no Brasil para ter validade legal. Além disso, também são exigidos outros documentos, como autorização para o transporte internacional do corpo e atestado sanitário que comprove que a morte não foi causada por doença contagiosa.

Os custos relacionados ao translado, incluindo embalsamamento e cremação, são de responsabilidade da família ou de pessoas que decidam ajudar financeiramente. Com o custo do translado estimado em cerca de R$ 50 mil, a família de Romildo lançou uma vaquinha virtual para arrecadar os fundos necessários.

A campanha foi iniciada após a família ser informada de que o corpo não poderia ser transportado em um voo comercial. Embora a família tenha conseguido um embarque inicialmente, foi avisada sobre a impossibilidade de transporte devido ao estado de conservação do corpo.

Romildo foi confirmado como uma das vítimas do terremoto que atingiu a Venezuela, e sua esposa, Carlha Nacarid, que também ficou ferida, permanece internada. O casal foi pego de surpresa quando uma parede desabou sobre eles durante os tremores. Romildo não sobreviveu aos ferimentos e faleceu na madrugada seguinte.

A família ficou sabendo da morte de Romildo após assistir a uma reportagem sobre o terremoto, e desde então, tem enfrentado dificuldades para trazer o corpo de volta ao Brasil. O governo venezuelano atualizou o número de mortos para 1.719, com milhares de feridos e desaparecidos. O governo brasileiro confirmou a morte de dois brasileiros no terremoto e está prestando assistência consular às famílias afetadas.

Natural de Chapada de Minas (MG), Romildo vivia em Uberlândia há mais de dez anos. Conhecido por sua fé e amor por viagens, ele deixou uma marca significativa na vida de seus familiares e amigos.

“Meu tio era uma pessoa muito boa, uma pessoa radiante, que adorava viajar e aproveitar a vida. É muito triste ver pessoas assim perderem a vida dessa forma, ainda mais com tal grau de descaso”, lamentou um membro da família.

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