Senangus surge como nova raça de gado focada em carne premium e adaptação ao clima brasileiro
Nova raça Senangus promete carne de alta qualidade e adaptação ao clima brasileiro.
Uma genética que reúne adaptação ao clima tropical, ganho de peso a pasto e carne de alto padrão começa a ganhar espaço na pecuária brasileira. O cruzamento entre as raças Senepol e Angus, conhecido como Senangus, está sendo desenvolvido como alternativa para produtores que buscam aumentar a eficiência dos sistemas de produção sem abrir mão da qualidade da carne.
O projeto ganhou força após a homologação da raça pelo Ministério da Agricultura, através da Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos Senepol. A ideia é combinar as principais características das duas raças taurinas, buscando uma solução efetiva para os desafios enfrentados pelos pecuaristas.
A proposta é unir a rusticidade, a fertilidade e a adaptação ao calor do Senepol com a reconhecida qualidade de carne e o marmoreio do Angus. O resultado esperado é um animal moderno e eficiente para o cruzamento industrial, capaz de oferecer carne premium e se adaptar a diferentes condições ambientais.
O desenvolvimento da iniciativa teve início em 2019, quando foram realizadas as primeiras inseminações utilizando genética Angus sobre matrizes Senepol. Os resultados iniciais foram surpreendentes, com os animais apresentando elevada rusticidade e desempenho acima da média em sistemas exclusivamente a pasto.
O pecuarista ficou impressionado com a capacidade dos animais em acompanhar a vacada Nelore, subindo morros e mantendo-se altamente produtivos. Essa experiência foi motivada pela percepção de limitações em outros sistemas de produção, especialmente em relação à qualidade da carne e à precocidade dos animais.
Desempenho superior ao Nelore na desmama
Com a ampliação do uso de biotecnologias reprodutivas, como a transferência de embriões, o projeto ganhou escala significativa. Em 2024, foram produzidos 125 embriões Senangus, formando uma geração que apresentou desempenho superior ao Nelore na fase de desmama.
Os dados do projeto indicam que os bezerros alcançaram uma média de 292 quilos aos 6,5 meses de idade, sendo criados exclusivamente a pasto. O Senangus apresentou um ganho de peso superior, cerca de uma arroba e meia a mais que o Nelore nesta fase.
Atualmente, o programa trabalha com duas linhas genéticas. Uma delas conta com 75% de sangue Angus, visando sistemas que priorizam a qualidade de carne e o acabamento de carcaça. A outra reúne 75% de genética Senepol, voltada para produção em regiões mais quentes e desafiadoras, como o Norte e Nordeste do Brasil.
Além da produção de bovinos de corte, o projeto também foca no segmento conhecido como beef on dairy, que utiliza genética de corte sobre vacas leiteiras, agregando valor aos bezerros destinados à produção de carne. A proposta é oferecer alternativas tanto para pecuaristas de corte quanto para produtores de leite.
Mercado e exportações impulsionam interesse
Outro fator que favorece a expansão da genética é a crescente demanda por animais de pelagem preta, especialmente para mercados ligados à exportação de gado em pé. A inclusão da genética Angus atende a esse perfil de mercado, mantendo características como ganho de peso, rendimento de carcaça e qualidade da carne.
O desenvolvimento da genética ocorre através de um modelo de parcerias entre criadores e áreas arrendadas, além da prestação de serviços de inseminação artificial em tempo fixo e transferência de embriões. A expectativa é que, nos próximos dez anos, o projeto alcance 200 matrizes Senangus e produza entre 100 e 120 touros por ano, consolidando a raça como uma alternativa competitiva para a pecuária de corte brasileira.
