Astronautas observam transformação radical nas cidades, que agora não são mais amarelas
Transformações na iluminação pública mudam a aparência das cidades vistas do espaço.
Os astronautas que viajaram ao espaço na última década têm observado uma significativa transformação na iluminação das cidades. De sua perspectiva a 400 quilômetros da Terra, notaram que as áreas urbanas, antes caracterizadas por uma luz âmbar suave, agora brilham intensamente com uma luz branca.
Essa mudança é resultado de uma das transformações de infraestrutura mais rápidas da história: a substituição em massa da iluminação pública. As antigas lâmpadas de vapor de sódio estão sendo aposentadas em favor dos LEDs, uma transição impulsionada por regulamentações que priorizam a eficiência energética. Este fenômeno é claramente visível do espaço, alterando o mapa noturno do planeta.
As lâmpadas de vapor de sódio, especialmente as de baixa pressão, emitem luz em uma faixa estreita do espectro, resultando em um tom amarelo-alaranjado que dominava as ruas. Em contraste, as lâmpadas de LED funcionam de maneira diferente, proporcionando uma iluminação mais eficiente e com um espectro mais amplo.
A invenção do LED azul de alta eficiência, que rendeu o Prêmio Nobel de Física em 2014 a seus criadores, possibilitou a geração de luz branca brilhante. Este tipo de diodo é muito mais eficiente, alcançando mais de 300 lúmens por watt, em comparação com apenas 16 de uma lâmpada incandescente, tornando a iluminação pública mais acessível e sustentável.
Observando as cidades à noite, nota-se que a cor da iluminação mudou de amarelo para um branco-azulado. Milão exemplifica essa transformação, tendo concluído a transição para LEDs em 2015. Outras cidades, como Los Angeles, Buenos Aires e Nova York, também implementaram mudanças significativas em suas iluminações públicas. A Índia, por sua vez, lidera o mundo em substituições, com mais de 13 milhões de postes de LED já instalados.
No entanto, a revolução dos LEDs não é isenta de problemas. A redução de custos levou muitas cidades a não apenas substituir as lâmpadas antigas, mas também a aumentar a quantidade e a intensidade da iluminação, resultando em um planeta mais iluminado e com crescente poluição luminosa.
Embora as estatísticas oficiais possam não refletir a realidade, a poluição luminosa, especialmente a luz azul, pode impactar negativamente o relógio biológico humano e afetar a fauna, como pássaros e mariposas migratórias. A luz azul é particularmente preocupante, pois interfere no sono e nos ciclos naturais dos animais.
A solução não está em retornar às lâmpadas de sódio, mas sim em aplicar a tecnologia de forma inteligente. Espera-se que até 2030, um quarto dos postes de iluminação pública seja inteligente, permitindo que a intensidade da luz seja ajustada conforme a necessidade. Esses postes conectados poderão regular a iluminação de acordo com o tráfego e coletar dados ambientais.
Além disso, novas abordagens estão sendo testadas para mitigar o impacto ambiental da iluminação, como o uso de luz vermelha para evitar perturbações em espécies noturnas e a exploração da bioluminescência como uma alternativa orgânica e sustentável de iluminação.
Imagem | Península Ibérica em 2012, foto do astronauta Don Pettit
