Arqueólogos na França descobrem jarro com dezenas de milhares de moedas romanas de 1.800 anos atrás

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Descoberta arqueológica em Senon revela ânforas com 40 mil moedas romanas.

O trabalho dos arqueólogos frequentemente diverge das representações cinematográficas, como as aventuras de Indiana Jones. Na realidade, as escavações raramente resultam em tesouros grandiosos ou câmaras secretas. No entanto, descobertas recentes em Senon, na França, demonstram que, às vezes, a realidade pode realmente superar a ficção.

Em Senon, arqueólogos desenterraram três ânforas que continham um total de 40 mil moedas romanas, revelando um achado significativo que remonta à Antiguidade.

No norte da França

Senon é uma cidade modesta localizada no departamento de Meuse, próxima às fronteiras da Bélgica, Luxemburgo e Alemanha. Antigamente, era um importante assentamento dos Mediomatrici, um povo celta da Gália, cuja capital estava situada em Metz, conhecida na época como Divodoro.

Recentemente, durante escavações na área, arqueólogos descobriram vestígios de um assentamento que abrange desde o período gaulês até o século IV d.C., revelando uma rica história pouco conhecida.

Uma crônica sob a terra

As novas descobertas ocorreram quase por acaso, durante a construção de uma casa. Os pesquisadores escavaram um terreno de 1.500 metros quadrados, revelando estruturas antigas, como fossos, valas e buracos de postes que datam de séculos passados.

À medida que escavavam, os arqueólogos encontraram também antigas pedreiras de calcário, ruínas de casas e estradas, evidenciando a complexidade da vida na região durante a Antiguidade.

“As características arquitetônicas e os artefatos encontrados indicam uma população relativamente abastada, possivelmente composta por artesãos ou comerciantes”, afirmaram os especialistas.

E então veio a grande surpresa

Durante as escavações, os arqueólogos descobriram três grandes ânforas de cerâmica que continham milhares de moedas, datando do final do século III d.C. ao início do século IV.

Duas das ânforas foram descobertas pelo INRAP, enquanto a terceira foi encontrada pelo Serviço Arqueológico Regional. O total de moedas encontrado ultrapassa 40 mil, com a primeira ânfora contendo cerca de 38 kg de metal, o equivalente a aproximadamente 24 mil moedas.

A segunda ânfora, com o gargalo quebrado, pesa cerca de 50 kg e estima-se que contenha entre 18 mil e 19 mil moedas, enquanto a terceira apresenta apenas três moedas.

A análise dos achados revelou que as ânforas foram enterradas entre 280 e 310 d.C., com algumas moedas apresentando os rostos de imperadores do Império Gálico, que governaram a região de forma independente entre 260 e 274 d.C.

Por que isso é importante?

A descoberta de ânforas com 1.800 anos e 40 mil moedas romanas é excepcional, especialmente considerando que outros esconderijos de moedas já foram encontrados na região do Meuse. Contudo, a relevância desse achado está no seu contexto.

Os arqueólogos acreditam que as ânforas não eram tesouros escondidos, mas sim uma forma de banco doméstico, sugerindo que foram enterradas em um local acessível e gradualmente preenchidas com moedas.

“Cuidadosamente colocadas”

Os especialistas afirmam que esses esconderijos refletem uma gestão monetária complexa e planejada, indicando que as ânforas foram cuidadosamente colocadas em fossas bem preparadas, mantendo-se acessíveis ao seu proprietário.

“Os vasos foram colocados de maneira a serem facilmente acessíveis, indicando um planejamento na sua utilização”, destacam os arqueólogos.

O grande mistério

O verdadeiro mistério reside no motivo pelo qual as ânforas foram deixadas ali, aparentemente esquecidas por séculos. Especialistas levantam hipóteses sobre possíveis ligações com uma fortificação militar próxima e a possibilidade de que o dinheiro estivesse destinado a pagamentos.

Um incêndio na área no início do século IV pode ter impactado os depósitos de moedas, e as habitações foram posteriormente reconstruídas, mas o local parece ter sido abandonado definitivamente após outro incênd

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