Excesso de informação impulsiona a credibilidade como ativo estratégico na era da inteligência artificial

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A relação entre inteligência artificial e a importância das conexões humanas no mercado de tecnologia.

O avanço da inteligência artificial (IA) traz à tona um paradoxo: quanto mais a tecnologia evolui, mais as relações humanas se tornam essenciais. Essa perspectiva é compartilhada por um especialista que observa o cenário atual do mercado de tecnologia.

Em um contexto onde algoritmos geram respostas convincentes, mas nem sempre precisas, empresas e profissionais buscam “portos seguros” — pessoas e instituições em quem possam confiar. A abundância de informações, longe de eliminar a necessidade de mediação humana, valoriza o senso crítico, a curadoria e a credibilidade.

De acordo com esse especialista, essa lógica já é visível nas contratações de serviços de tecnologia. Em projetos cada vez mais dinâmicos e com escopos flexíveis, a escolha de um parceiro vai além do domínio técnico; é fundamental que haja confiança na presença desse parceiro quando surgirem problemas.

“Estamos entrando em um momento em que, apesar de um escopo definido, os projetos não são previsíveis. A tecnologia evolui rapidamente e as pessoas também mudam, e sabemos que problemas vão surgir”, afirma.

Nesse cenário, a confiança se torna um ativo competitivo. Criatividade, flexibilidade e capacidade de resolução são fatores cruciais em um mercado pressionado por custos e juros elevados. Para os compradores, há menos espaço para decisões arriscadas, enquanto, para os fornecedores, a lógica tradicional de receita e corte de custos já não é suficiente.

Por isso, há uma mudança de mentalidade nas empresas de tecnologia, que estão passando a focar na discussão sobre valor, e não apenas em receitas. A questão não deve ser apenas como reduzir custos, mas como agregar mais valor à cadeia, aos produtos, serviços e ao relacionamento com o cliente. “Nem tudo o que sustenta a competitividade cabe em métricas financeiras”, ressalta.

A experiência desse profissional, que abrange desde a popularização dos PCs até a era da nuvem e da IA generativa, o leva a perceber menos rupturas e mais transformações contínuas. Em vez de simplesmente seguir tendências, ele busca entender o que elas significam para estratégia e execução.

Do primeiro PC à inteligência de mercado

A relação com a tecnologia começou na adolescência, quando teve seu primeiro contato com um PC em casa, no início dos anos 1990. Movido pela curiosidade, ele se aprofundou em comandos em DOS e instalação de softwares, despertando um interesse que o levaria a construir sua carreira nesse campo.

Embora tenha se formado em Marketing, percebeu que seu interesse estava na capacidade da tecnologia de transformar negócios e processos. Sua primeira experiência comercial foi ao vender uma página na web, o que o fez enxergar a tecnologia como um instrumento de posicionamento e geração de valor.

O ingresso formal no setor ocorreu na Ingram Micro, onde trabalhou em suporte pré-vendas e teve contato direto com o mercado de TI. Após quatro anos, passou a atuar na IDC como analista de mercado, unindo sua formação em marketing ao conhecimento técnico. Durante nove anos, liderou a área de pesquisas enterprise, acompanhando transformações significativas no setor.

Um dos trabalhos mais marcantes foi um estudo sobre o mercado de mainframes no Brasil, realizado em um momento de transição para plataformas mais distribuídas, onde entrevistou executivos para entender a percepção de valor dessas tecnologias nas organizações.

Essa experiência o levou à Microsoft, onde participou de iniciativas ligadas à transição para serviços em nuvem. Após dois anos, decidiu se dedicar a projetos de consultoria estratégica para diversas organizações, até se tornar sócio da Stratica.

Nos anos seguintes, alternou entre consultoria e posições executivas em empresas como Tivit e Zenvia, sempre focado em inteligência de mercado e estratégia. Atualmente, na Stratica, ajuda empresas de tecnologia a identificar oportunidades de crescimento e transformar estratégia em execução, combinando visão analítica com experiência prática.

Essa trajetória lhe proporciona uma visão ampla do atual ciclo de transformação tecnológica. Para ele, conceitos como inteligência artificial e automação não são novos, mas a escala e a facilidade de acesso mudaram. A tecnologia se tornou mais simples de usar e mais presente nas decisões de negócio, tornando mais difícil distinguir entre ruído e informação confiável.

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