Cápsula é cortada em operação científica
Leilão de garrafa rara de vinho alcança preços impressionantes e revela o impacto da morte dos produtores no mercado.
Em 29 de junho, às 11h06 pelo horário de Londres, foi encerrado o leilão do lote 251 da casa britânica Sotheby’s, que incluía uma garrafa Magnum de Vosne-Romanée Cros Parantoux 1978. Esta garrafa, do renomado produtor Henri Jayer, foi descrita em detalhes no catálogo do leilão, que confirmou a autenticidade do vinho através de uma série de verificações.
A estimativa para os lances variava entre 40 mil e 55 mil libras, equivalente a valores que giram entre 300 mil e 400 mil reais. No entanto, o preço final do lance vitorioso não foi divulgado, exigindo que os participantes tivessem conta na casa de leilões para obter informações completas.
A história dessa garrafa é rica e complexa. Ela foi inicialmente leiloada em Hong Kong em junho de 2018, passou por um colecionador e foi revendida novamente em 2021. Seu processo de autenticação foi confirmado em abril de 2025, antes de reaparecer no leilão atual. Em um leilão anterior, em novembro de 2024, dez garrafas da mesma vinícola, mas da safra de 1999, alcançaram um total de 219.160 euros, demonstrando o valor crescente dos vinhos de Jayer.
Henri Jayer, que faleceu em 20 de setembro de 2006, deixou um legado significativo na produção de vinhos na Borgonha. Após sua morte, seus vinhos passaram a ser elaborados por seu sobrinho, e a demanda por suas garrafas aumentou consideravelmente. A lógica é clara: a morte do produtor significa que não haverá mais novas safras, elevando o valor dos vinhos existentes.
Jayer revolucionou a viticultura na Borgonha ao priorizar a qualidade em vez da quantidade, adotando técnicas de cultivo que minimizavam a produção e evitavam o uso de fertilizantes sintéticos. Um dos seus vinhedos, Cros Parantoux, é um pequeno terreno que, após sua dedicação, se tornou um dos mais valiosos do mundo.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Jayer replantou os vinhedos, enfrentando desafios significativos. Ele relatou que o local era difícil de cultivar e que, mesmo durante a guerra, alternativas como alcachofras de Jerusalém eram cultivadas na área. Hoje, seu sobrinho e outras propriedades continuam a tradição de produção de vinhos nessa localidade.
Na região do Rhône, Noël Verset também se destacou ao manter a produção de vinhos tradicionais, mesmo quando muitos agricultores abandonaram a atividade devido à crise econômica. Sua dedicação garantiu que os vinhedos não desaparecessem, permitindo que a agricultura local prosperasse.
Verset fez sua última safra comercial em 2000, mas continuou a produzir vinho para a família até 2006. O valor de suas garrafas aumentou significativamente após sua morte, com vinhos que antes eram acessíveis agora alcançando preços exorbitantes.
Didier Dagueneau, outro renomado produtor, faleceu em 2008 em um acidente de avião. Seus vinhos, que já eram vendidos a preços elevados, tornaram-se ainda mais cobiçados após sua morte, com seu filho assumindo a produção e mantendo a qualidade da adega.
A morte de um produtor levanta questões sobre a influência que isso tem sobre o preço do vinho. Estudos sobre o mercado de arte mostram que o valor das obras aumenta antes da morte do artista, mas não há consenso sobre como isso se aplica ao vinho. O que se sabe é que a escassez e a reputação do produtor desempenham papéis cruciais na formação do preço.
Pesquisas indicam que a percepção do consumidor também é afetada pelo nome e pela história do produtor. Um estudo recente mostrou que preços elevados podem tornar vinhos mais baratos mais agradáveis, evidenciando a importância da marca e da narrativa em torno do produto.
A questão que permanece é: quem arrematou o lote 251 em Londres estava em busca de uma experiência gustativa, entretenimento ou uma oportunidade de investimento?
