Estudo sugere que microdanos cerebrais relacionados a problemas cardíacos podem elevar o risco de perda de memória

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Estudo revela conexão entre saúde cardíaca e alterações cerebrais relacionadas à memória.

Problemas aparentemente leves na capacidade do coração de bombear sangue podem estar associados a alterações microscópicas no cérebro ligadas à memória. Pesquisadores acreditam que essas mudanças podem surgir anos antes de sinais mais evidentes, como encolhimento cerebral ou demência.

Embora o trabalho não prove uma relação direta de causa e efeito, ele reforça a crescente evidência de que a saúde do coração e a do cérebro estão profundamente conectadas.

Alterações podem surgir antes mesmo da insuficiência cardíaca

Pesquisadores acompanharam 168 participantes, sendo 73 pacientes que procuraram atendimento por sintomas cardíacos, alguns com doença arterial coronariana ou insuficiência cardíaca, e 95 pessoas sem sintomas relacionados ao coração.

No início do estudo, todos passaram por avaliações da função cardíaca. Cerca de três anos e meio depois, os voluntários realizaram exames de ressonância magnética do cérebro e testes cognitivos.

Os resultados mostraram que pessoas cujo coração apresentava menor eficiência para bombear sangue já no início da pesquisa desenvolveram mais sinais de microdanos na substância cinzenta do cérebro ao longo dos anos, independentemente de possuírem ou não diagnóstico formal de insuficiência cardíaca.

Os testes cognitivos foram aplicados aos participantes com doença cardíaca e avaliaram diferentes capacidades, como atenção, funções executivas, aprendizado e memória.

Entre todas essas habilidades, apenas a memória apresentou uma associação clara com a redução da capacidade de bombeamento do coração.

Os participantes com menor desempenho cardíaco apresentaram mais alterações microscópicas justamente nas regiões cerebrais responsáveis pela memória. Além disso, quanto maiores eram esses microdanos, pior era o desempenho nos testes de memória.

Regiões afetadas também são vulneráveis ao Alzheimer

Outro ponto que chamou a atenção dos cientistas é que as alterações ocorreram em áreas do cérebro conhecidas por serem importantes para a formação e recuperação de memórias, regiões que também costumam ser afetadas nos estágios iniciais da doença de Alzheimer.

Apesar disso, os autores alertam que o estudo não demonstra que essas pessoas desenvolverão Alzheimer.

Não foram analisadas proteínas características da doença, como beta-amiloide ou tau, impossibilitando estabelecer essa relação neste momento.

O grau de dano cerebral apresentou relação com os níveis de hormônios liberados pelo coração em situações de estresse. No entanto, essa associação apareceu apenas entre pacientes que já possuíam insuficiência cardíaca diagnosticada.

Um dos achados mais surpreendentes foi perceber que pequenas reduções na eficiência do coração já estavam associadas a alterações cerebrais futuras, mesmo em indivíduos que ainda não preenchiam os critérios clínicos para insuficiência cardíaca.

Os pesquisadores acreditam que, no futuro, testes rotineiros da função cardíaca poderão auxiliar médicos a identificar pessoas com maior risco de desenvolver problemas de memória antes mesmo do surgimento de sintomas neurológicos.

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