El Niño pode impactar produção de alimentos e elevar preços de café a arroz
El Niño pode impactar a produção agrícola e elevar preços no Brasil.
O fenômeno climático El Niño está gerando preocupações entre economistas, que alertam sobre possíveis impactos na oferta de alimentos e nos preços nos supermercados brasileiros.
De acordo com especialistas, a influência do El Niño pode afetar negativamente as janelas de plantio e a produção durante a colheita, resultando em aumento nos preços dos alimentos. A previsão é de que as hortaliças sejam as primeiras a sentir os efeitos, com um encarecimento esperado para o próximo ano, caso o fenômeno se intensifique.
- 🔎 O El Niño é um fenômeno climático que provoca o aquecimento das águas do Oceano Pacífico, alterando padrões climáticos globais e causando secas em algumas regiões e chuvas intensas em outras.
A produção de produtos como milho, café, frutas, laranja, cana-de-açúcar, trigo e arroz pode ser severamente afetada. O leite também está entre os produtos que podem sofrer consequências, especialmente no Sul do Brasil, onde a disponibilidade de água para pastagens pode ser comprometida.
Embora algumas regiões possam ser beneficiadas, como o Nordeste, onde a baixa umidade e o calor podem favorecer a colheita do feijão, outras áreas enfrentam desafios significativos. No Centro-Oeste e Norte, a pecuária é a atividade mais vulnerável, com a falta de água para pastagens sendo uma preocupação crescente.
Os impactos do El Niño são particularmente preocupantes para a produção de café. O fenômeno pode causar irregularidades nas chuvas, levando a floradas prematuras e à formação de grãos de menor qualidade. Além disso, temperaturas elevadas e estresse hídrico podem afetar a saúde das plantas.
O setor cafeeiro, que esperava uma safra recorde de mais de 66 milhões de sacas, está em alerta. As chuvas recentes já atrasaram a colheita do café conilon, o que pode reduzir a qualidade e favorecer o surgimento de pragas e fungos.
“Isso vai fazer com que a oferta não seja tão boa quanto se imagina e o mercado internacional, já sabendo que os estoques estão vazios, começa a ter especulações e isso pode fazer com que o preço da matéria-prima vá subir”, afirma um especialista do setor.
Com o aumento dos custos, a indústria pode repassar os preços para os consumidores. Para o café arábica, a preocupação se volta para a produção de 2027, que pode sofrer uma perda de até 25% se o El Niño se manifestar de forma mais intensa.
Além do café, a produtividade média global de milho tende a cair em anos de El Niño, afetando principalmente as regiões tropicais. Essa diminuição pode impactar a segunda safra de milho no Brasil, com chuvas irregulares atrasando o plantio e reduzindo a área cultivada.
A escassez de pastagens devido à seca pode prejudicar a criação de animais, afetando a produção de leite e o ganho de peso dos animais destinados ao abate. O calor excessivo também contribui para o estresse dos animais, que tendem a comer menos.
Frutas e hortaliças
No Sul do Brasil, chuvas intensas podem causar podridão e perda de qualidade em diversas hortaliças, como cebola, batata, tomate e cenoura. A maçã e a uva também podem ser afetadas, enquanto frutas como melão e melancia podem se beneficiar das condições climáticas no Nordeste.
O El Niño também pode provocar chuvas fora de época na região Centro-Sul, responsável pela maior parte da moagem de cana-de-açúcar no país. Isso pode comprometer a qualidade da matéria-prima e atrasar o acúmulo de sacarose, aumentando o risco de colheita antecipada.
Os produtores estão em alerta, pois as condições climáticas extremas podem afetar significativamente a agricultura no Brasil, refletindo em preços mais altos e disponibilidade reduzida de produtos nos mercados.
