Estudo revela que queda de empregos em jornais e revistas acompanha crescimento da assessoria de imprensa e dos MEIs
Queda significativa no número de jornalistas formais destaca mudanças no mercado de trabalho da profissão.
Dados recentes revelam uma expressiva diminuição no número de trabalhadores formais no setor de jornalismo, que caiu de 9.870 em 2015 para 4.709 em 2025, uma retração de 52,3%. Essa perda representa a eliminação de 5.161 postos de trabalho ao longo de uma década.
O levantamento indica que funções como assessor de imprensa estão se tornando cada vez mais relevantes, absorvendo uma parte significativa dos profissionais da área. Além disso, um número considerável de Microempreendedores Individuais (MEIs) está emergindo no setor de comunicação, refletindo uma mudança nas dinâmicas de emprego.
A redução drástica nos empregos formais em jornais e revistas, que superou a metade nas últimas décadas, está alterando o perfil do mercado de trabalho. As redações tradicionais estão perdendo espaço, enquanto funções fora dos veículos impressos estão se expandindo. Em 2025, a função de assessor de imprensa tornou-se a principal empregadora, representando 25,2% dos postos de trabalho, seguida por jornalistas e editores.
De acordo com a presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas, o crescimento das assessorias deve ser analisado em um contexto mais amplo, considerando o fechamento de redações e a precarização das contratações. Ela ressalta que, embora a assessoria de imprensa seja uma atividade legítima, seu crescimento não deve ocorrer à custa da qualidade e estabilidade das redações tradicionais.
Outro aspecto relevante é o aumento no número de MEIs no setor editorial. Até maio deste ano, foram registrados 46.078 MEIs em atividades relacionadas à edição de jornais e revistas. Esse número é quase equivalente ao total de vínculos formais existentes na área, levantando preocupações sobre possíveis fraudes trabalhistas, onde trabalhadores são forçados a se registrar como MEIs para serem contratados.
A presidenta da Fenaj destaca que essa situação revela uma transformação que vai além da migração de áreas. A substituição de vínculos formais por modelos de pejotização pode ser vista como uma modernização, mas frequentemente resulta na perda de direitos e na fragilização das relações de trabalho, o que requer uma análise cuidadosa e crítica.
