Nokia se reinventa no mercado com foco em celulares e inteligência artificial

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Nokia se reinventa como fornecedora de infraestrutura para inteligência artificial

A Nokia, tradicional empresa finlandesa que deixou o mercado de celulares, está se transformando em uma fornecedora de infraestrutura para inteligência artificial, buscando espaço no crescente setor de centros de dados.

Recentemente, a companhia focou seus esforços em equipamentos e softwares que facilitam a comunicação entre servidores, redes ópticas e o gerenciamento do tráfego de dados. Essa mudança ocorre em um momento em que grandes empresas de tecnologia estão investindo fortemente em estruturas que suportem aplicações de inteligência artificial.

A nova direção da Nokia ganhou impulso com a chegada do CEO Justin Hotard, ex-líder da área de data centers e IA da Intel, e pela aquisição da Infinera, uma empresa especializada em tecnologia óptica. No entanto, a companhia ainda precisa converter o entusiasmo do mercado em resultados financeiros consistentes.

A trajetória da Nokia mudou drasticamente desde seu auge no mercado de celulares. Fundada em 1865, a empresa passou por várias transformações antes de se tornar uma das marcas mais icônicas de telefonia móvel. No início dos anos 2000, seu valor de mercado superou os US$ 250 bilhões, mas após a venda de sua divisão de aparelhos para a Microsoft em 2014, a Nokia voltou seu foco para a infraestrutura de telecomunicações.

Embora essa área ainda represente mais da metade da receita da empresa, ela perdeu ritmo após a conclusão das implantações de redes de quinta geração. Em resposta, a Nokia começou a buscar novas fontes de crescimento ligadas ao avanço da inteligência artificial.

Com a liderança de Hotard, a empresa trouxe executivos experientes do Vale do Silício para expandir sua atuação no setor de infraestrutura de IA. Um marco importante foi a compra de uma participação de 2,9% na Nokia pela Nvidia, avaliada em US$ 1 bilhão, como parte de um acordo de colaboração entre as duas empresas.

A aquisição da Infinera, concluída por US$ 2,3 bilhões, ampliou a presença da Nokia no mercado de redes ópticas, crucial para o transporte de grandes volumes de dados. A participação da Nokia nesse setor na América do Norte cresceu de 6,3% para 27,3% em um ano, segundo especialistas do setor.

No atual cenário, a Nokia ocupa a segunda posição no segmento de redes ópticas, atrás da Ciena, que detém 50,1% do mercado. O crescimento nesta área elevou as expectativas da empresa, que quase dobrou sua projeção de crescimento anual, prevendo uma expansão entre 18% e 20%.

Entretanto, a companhia enfrenta desafios comuns ao setor de inteligência artificial, como a concorrência por componentes essenciais, que tem gerado dificuldades de abastecimento e prazos de entrega mais longos. Em abril, Hotard mencionou que a empresa estava explorando alternativas para garantir o fornecimento e controlar custos, especialmente com a expectativa de aumento nos preços dos semicondutores.

Analistas apontam que a valorização recente das ações da Nokia está intimamente ligada ao entusiasmo em torno da inteligência artificial. Contudo, essa valorização depende do progresso real nesse campo, que ainda não é totalmente garantido.

A exposição ao ciclo da IA também apresenta riscos financeiros. Investidores estão cada vez mais céticos em relação aos altos gastos das empresas de tecnologia, questionando a geração de receita proveniente dessas aplicações e os impactos das taxas de juros elevadas sobre os investimentos financiados por dívidas para a expansão de centros de dados.

Especialistas do setor observam que o mercado já precifica a Nokia como uma empresa de inteligência artificial, embora os resultados financeiros ainda precisem acompanhar essa expectativa.

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