Operação da PF compromete mais um aliado de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro
Operação da Polícia Federal abala pré-candidatura de Márcio Canella ao Senado no Rio de Janeiro.
A Polícia Federal realizou uma operação nesta quarta-feira que impactou diretamente a pré-candidatura de Márcio Canella ao Senado. Ele é suspeito de lavagem de dinheiro, o que levanta sérias dúvidas sobre sua viabilidade política.
O envolvimento de Canella com milicianos durante sua gestão na Prefeitura de Belford Roxo já era uma preocupação conhecida entre os aliados de Flávio Bolsonaro, especialmente na construção de sua base para a campanha presidencial.
Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil e pré-candidato a uma vaga na Câmara dos Deputados, conta com o apoio de Canella para fortalecer sua candidatura. No entanto, Rueda já esteve ao lado de indivíduos com ligações suspeitas com milícias, o que pode comprometer ainda mais sua imagem.
Na 6ª fase da Operação Unha e Carne, autorizada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, Canella foi flagrado com um fuzil calibre .556 irregular em seu veículo. A investigação da PF aponta movimentações financeiras que ultrapassam R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, indicando possíveis contratações ilegais e lavagem de dinheiro.
Embora Canella tenha sido alvo da operação, sua pré-candidatura ainda não foi oficialmente cancelada, mas o desgaste é evidente. O silêncio dele após a operação deixa a situação ainda mais incerta.
Flávio Bolsonaro já enfrentou a desistência do ex-governador Cláudio Castro ao Senado, que também foi investigado pela PF. Além disso, o deputado Douglas Ruas, que almejava o Governo do Rio, viu seus planos frustrados por uma decisão do STF que garantiu a permanência do desembargador Ricardo Couto no cargo.
A possibilidade de Canella não ser preso preventivamente inicialmente deu um respiro à sua candidatura. Contudo, a situação se complica com a detenção em flagrante e a manutenção do sigilo das provas, que dificultam a defesa.
Entre as alternativas discutidas está a substituição de Canella por Felipe Curi, ex-secretário de Polícia Civil, que se destacou na Operação Contenção. No entanto, essa opção enfrenta resistência do PP, que não quer abrir mão de um potencial candidato forte para a Câmara dos Deputados.
Outra possibilidade seria usar a vaga para fortalecer a aliança em torno de Douglas Ruas, com o Republicanos considerando apoiar sua candidatura e podendo incluir Marcelo Crivella como um nome na chapa.
O PL ainda não definiu um substituto para Cláudio Castro, e o senador Carlos Portinho tem ganhado apoio, embora Flávio Bolsonaro considere que o deputado Carlos Jordy tenha mais aceitação entre os eleitores bolsonaristas.
O deputado Sóstenes Cavalcantes também foi cogitado como uma opção, mas sua recente inclusão em uma nova operação da PF diminuiu suas chances de ser escolhido.
