Empresa japonesa garante 500 kg de carga em missão da SpaceX à Lua
Ispace reserva capacidade na Starship para missão lunar até 2030.
A ispace, empresa japonesa com sede em Tóquio, anunciou a expansão de seus planos lunares ao reservar 500 kg de capacidade de carga no megafoguete Starship da SpaceX. A missão está prevista para ser lançada em 2030 e tem um valor estimado de US$ 50 milhões.
O fundador e CEO da ispace, Takeshi Hakamada, expressou entusiasmo pela colaboração com a SpaceX, destacando que o novo serviço de acesso lunar é fundamental para o desenvolvimento de uma economia lunar sustentável. O transporte lunar de alta capacidade e custo acessível, proporcionado pela Starship, é considerado essencial para os objetivos da empresa.
A ispace pretende utilizar a Starship de forma recorrente, transportando seu novo “Mobile Cargo System” (Sistema de Carga Móvel) para a superfície lunar. Este sistema é um rover em formato de plataforma, projetado para transportar até 500 kg pelo terreno lunar.
A missão com o Mobile Cargo System a bordo da Starship não ocorrerá antes de 2030, dependendo da capacidade da SpaceX em tornar a Starship um veículo operacional. Até o momento, a Starship realizou 12 voos de teste, todos suborbitais.
- A ispace já utilizou os foguetes Falcon 9 da SpaceX em lançamentos anteriores do rover HAKUTO-R em 2022 e 2025;
- Embora tenha alcançado a órbita lunar com sucesso, o HAKUTO-R não conseguiu pousar durante suas tentativas;
- A Starship é projetada para reutilização total, com capacidade para lançar até 150 toneladas à órbita baixa da Terra;
- O desenvolvimento da Starship começou em 2016, quando foi anunciada por Elon Musk durante um congresso;
- As expectativas sobre sua prontidão operacional têm mudado constantemente ao longo do tempo.
Nos últimos anos, a SpaceX enfrentou atrasos em seu cronograma de desenvolvimento. Inicialmente, a empresa esperava realizar a primeira missão lunar da Starship antes de 2024, mas essa data foi adiada. A NASA também alterou seu cronograma, prevendo que a primeira missão tripulada do programa Artemis, que envolve a Starship como módulo de pouso, ocorra somente em 2028.
Não são os únicos clientes
A NASA e a ispace não são as únicas empresas que reservaram capacidade na Starship. O bilionário japonês Yusaku Maezawa anunciou em 2018 o projeto #dearMoon, que previa uma missão tripulada ao redor da Lua. Contudo, devido aos atrasos, Maezawa cancelou seu voo programado para 2024.
Impulso crescente
O interesse por missões lunares utilizando a Starship está crescendo. A NASA já completou duas missões Artemis bem-sucedidas: a Artemis 1, que foi não tripulada, e a Artemis 2, com tripulação, que ocorreu em abril passado.
A agência se prepara para a Artemis 3, que testará operações de acoplamento com a cápsula Orion e dois módulos de pouso lunar em 2027, caso tudo ocorra conforme o planejado.
A ispace está se posicionando como um player importante na exploração lunar, destacando que o surgimento de foguetes com capacidade de carga significativa pode acelerar a implantação de infraestrutura lunar. Isso inclui áreas como energia, comunicações e mobilidade.
A empresa acredita que a criação de infraestrutura na superfície lunar facilitará futuros projetos e permitirá a expansão do transporte de cargas menores para validação tecnológica e desenvolvimento comercial. Além disso, a ispace planeja três missões de pouso lunar com seu veículo ULTRA Lander, programadas para 2028, 2029 e 2030.
