Investigados por ligação com PCC utilizaram sistema de pagamentos dos EUA, afirma PF
Operação Exchange revela uso de Zelle em esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.
Brasileiros sancionados pelos Estados Unidos por possíveis ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC) estavam utilizando a plataforma de transferências digitais Zelle em transações financeiras suspeitas. Essa informação foi revelada em uma decisão judicial que autorizou a operação Exchange.
Mensagens coletadas de celulares dos investigados mostram o envio de dados de contas pelo Zelle. Conversas atribuídas a um dos alvos da investigação indicam que o sistema foi empregado para transferências internacionais relacionadas ao tráfico de entorpecentes.
O Zelle é uma rede de pagamentos digitais gerida pela Early Warning Services, uma empresa que pertence a um consórcio de grandes bancos norte-americanos, como Bank of America e JPMorgan Chase. O sistema facilita o envio de dinheiro diretamente de uma conta bancária para outra, utilizando o número de telefone ou o e-mail do destinatário como identificação.
Os investigadores encontraram um comprovante de depósito de US$ 10.002 realizado pelo Zelle para uma conta do Bank of America. A operação Exchange foi deflagrada após o governo dos EUA bloquear todos os bens e empresas dos investigados sob sua jurisdição, com base em informações levantadas pela Polícia Federal a partir de investigações do Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos.
O relatório da Polícia Federal revelou que, com os dados compartilhados pelas autoridades norte-americanas, foi iniciada uma investigação sobre um esquema bilionário de lavagem de dinheiro relacionado ao tráfico internacional de drogas por meio de criptoativos.
Um dos principais alvos da operação, Ygor Fokin Saviolli, foi identificado como um dos articuladores da venda de drogas. Seu telefone celular foi apreendido em outubro de 2023, durante uma fiscalização no Aeroporto Internacional de Fort Lauderdale, e o material coletado incluía mensagens, imagens e comprovantes bancários que indicavam movimentações financeiras e negociações de drogas.
Victor Shimada, apontado como um dos líderes do núcleo financeiro do PCC no Brasil, também foi mencionado nas investigações. Ele e sua família são suspeitos de operar empresas de fachada para lavar dinheiro por meio de depósitos fracionados. Relatórios indicam que Shimada pode ter transacionado R$ 1,9 bilhão utilizando sua empresa de fachada, a Victory Trading Intermediação de Negócios.
A Polícia Federal destacou que Saviolli tinha relações próximas com Shimada, com conversas sobre remessas de valores provenientes da venda de haxixe. As investigações revelaram a existência de uma complexa estrutura financeira transnacional, que envolve a conversão de moeda fiduciária em criptoativos.
