Probabilidade de El Niño muito forte aumenta para 81%, revela agência americana

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Previsão de El Niño “muito forte” aumenta para 81% até o final de 2026

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa) anunciou uma nova previsão, indicando 81% de chance de ocorrência de um El Niño “muito forte” nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2026. O fenômeno já está em desenvolvimento e deve se intensificar até o final do ano.

Os dados mais recentes mostram que a possibilidade de um evento “muito forte” começou a crescer em julho e seguirá aumentando ao longo do ano, atingindo seu pico no último trimestre. Este percentual é o mais elevado já registrado pela Noaa para essa categoria até o momento.

Em maio, a Noaa já havia alertado sobre a possibilidade de formação do El Niño, com 82% de chance de desenvolvimento até julho. Na ocasião, a agência utilizava o status de “El Niño Watch”, que indica condições favoráveis para a formação do fenômeno nos próximos seis meses, mas com incertezas sobre sua intensidade.

Em junho, a classificação foi elevada para “El Niño Advisory”, sinalizando que as condições do fenômeno estavam sendo observadas. A partir desse ponto, a chance de um evento “muito forte” subiu para 63% para o trimestre de novembro a janeiro.

Na atualização de julho, a probabilidade de um evento dessa magnitude aumentou para 81%, concentrando-se nos meses finais do ano. A Noaa utiliza a temperatura da água do oceano Pacífico equatorial como um dos principais indicadores, além de já ter identificado sinais atmosféricos compatíveis com o avanço do fenômeno.

Os especialistas da Noaa estimam que há 97% de chance de que o El Niño persista até a primavera de 2027 no Hemisfério Norte. Se confirmado, este evento poderá se tornar um dos maiores El Niños registrados desde 1950, embora a agência ressalte que episódios intensos não necessariamente causam impactos severos em todas as regiões.

Desde o início das medições, apenas cinco episódios de El Niño alcançaram a classificação de “muito forte”: 1972-1973, 1982-1983, 1997-1998, 2015-2016 e 2023-2024. No Brasil, os efeitos mais severos foram relacionados a enchentes, como as que ocorreram no Rio Grande do Sul em 2024 e em Blumenau, Santa Catarina, em 1983.

O QUE É O EL NIÑO

O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do oceano Pacífico equatorial. Este evento faz parte do sistema conhecido como Oscilação Sul-El Niño (Enos) e provoca alterações nos padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do mundo. Geralmente, episódios de El Niño ocorrem a cada 2 a 7 anos e duram entre 9 a 12 meses.

O aquecimento das águas do Pacífico influencia a circulação atmosférica, alterando a formação de nuvens e provocando secas em algumas áreas, enquanto outras podem experimentar chuvas acima da média. Além disso, o fenômeno contribui para o aumento da temperatura média global.

MEDIÇÃO

A Noaa monitora o El Niño por meio do Índice Oceânico Relativo de Niño (Roni), que mede a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 do Pacífico equatorial. Esse índice permite uma avaliação mais precisa da intensidade do aquecimento associado ao fenômeno.

Para que o El Niño seja classificado, o Roni deve atingir pelo menos +0,5°C, acompanhado de sinais atmosféricos compatíveis. A Noaa classifica a intensidade do fenômeno em quatro categorias: fraco, moderado, forte e muito forte, sendo esta última definida como anomalia igual ou superior a 2,0 °C.

IMPACTO NO BRASIL VARIA

O El Niño pode provocar efeitos distintos nas diversas regiões do Brasil. No Norte, há expectativa de redução das chuvas na Amazônia, aumentando o risco de incêndios florestais e afetando a navegação e a pesca.

No Nordeste, a previsão é de chuvas abaixo da média, o que pode intensificar o estresse hídrico e aumentar a vulnerabilidade a incêndios em ecossistemas frágeis. No Centro-Oeste, embora os

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