STF determina bloqueio de bens de Valdemar Costa Neto por suspeita de irregularidades em emendas de R$119 milhões

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Valdemar Costa Neto é alvo de investigação da PF e bloqueio de bens pelo STF.

A Polícia Federal identificou indícios de que Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, teria exercido influência irregular sobre a destinação de pelo menos R$ 119,2 milhões em emendas parlamentares, mesmo sem mandato eletivo. A decisão foi divulgada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal nesta sexta-feira.

Na determinação, foi ordenado o bloqueio de bens de Valdemar até o valor mencionado e a suspensão da execução de despesas relacionadas às emendas investigadas. A PF apura possíveis crimes de peculato-desvio e associação criminosa.

A investigação, que faz parte da Operação Transparência, iniciada em dezembro de 2025, revelou mensagens e planilhas no celular de uma servidora da Câmara dos Deputados. Esses documentos indicam a existência de um esquema informal para direcionar emendas parlamentares de acordo com interesses atribuídos a Valdemar. Os recursos eram registrados em nome de deputados, embora as solicitações tivessem origem no dirigente partidário.

Segundo a PF, ao menos 21 emendas foram empenhadas ou pagas com informações consideradas falsas sobre seus reais solicitantes. A prática teria sido utilizada para ocultar o papel de Valdemar na definição dos destinos das verbas.

O ministro afirmou que há “múltiplos indícios” de que Valdemar atuou como “mandante do (re)direcionamento de valores públicos” sem exercer mandato parlamentar.

Embora tenha rejeitado pedidos de busca e apreensão e de quebra de sigilos, o magistrado concordou com o bloqueio patrimonial e a suspensão das emendas apontadas pela investigação.

A defesa de Valdemar manifestou surpresa com a decisão, alegando que se baseia em “premissas frágeis, inferências subjetivas” e caracteriza indevida criminalização da atividade político-partidária.

Os advogados do investigado afirmaram não haver provas de que Costa Neto tenha participado conscientemente de um esquema criminoso, destacando que a Procuradoria-Geral da República se opôs às medidas. Além disso, criticaram a determinação de indisponibilidade sobre todo o patrimônio do cliente e reafirmaram sua inocência, informando que recorrerão judicialmente para reverter a decisão.

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