Presidente da Corning para a América Latina afirma que IA vai além do software

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A infraestrutura física é crucial para o avanço da inteligência artificial.

A corrida global pela inteligência artificial enfrenta um desafio frequentemente negligenciado: a infraestrutura física necessária para suportar essa tecnologia. O presidente da Corning na América Latina e Caribe, Flávio Guimarães, destaca que o mundo está passando por duas transformações interligadas: uma digital e outra relacionada à infraestrutura que a sustenta.

A Corning, fabricante de fibra óptica de baixa perda, celebrará 175 anos em 2026, com um faturamento de US$ 16,41 bilhões em vendas no ano anterior. Com 78 fábricas e mais de 65 mil funcionários em mais de 40 países, a empresa é também responsável pelo vidro Gorilla Glass, utilizado em smartphones, e ocupa a 324ª posição no ranking Fortune 500.

Guimarães enfatiza que a compreensão de que a inteligência artificial vai além do software está se consolidando no mercado. Para que a IA gere valor em larga escala, é essencial uma infraestrutura adequada, que inclua conectividade, capacidade computacional, disponibilidade de energia e uma cadeia industrial preparada para uma demanda sem precedentes.

Três gargalos

O principal desafio, segundo Guimarães, é alinhar o crescimento da infraestrutura com a velocidade da inovação. Ele identifica três fatores críticos: o primeiro é a energia, uma vez que os data centers demandam cada vez mais capacidade de processamento e refrigeração. O segundo é a conectividade, essencial para a transferência de grandes volumes de dados com baixa latência. O terceiro é a expansão da cadeia industrial como um todo.

Construir novas plantas industriais, expandir redes e implantar data centers requerem investimentos significativos, planejamento e tempo. Estamos diante de uma transformação tecnológica que também implica uma transformação industrial em larga escala.

Embora os semicondutores sejam o foco principal do mercado, Guimarães considera a infraestrutura de conectividade como o elo menos debatido do ecossistema. Sem essa infraestrutura, o potencial da inteligência artificial não pode ser explorado em sua totalidade. Ele acredita que esse tema ganhará destaque nos próximos anos, à medida que as aplicações de IA se tornarem mais sofisticadas.

Geopolítica e resiliência

As tensões geopolíticas e a reestruturação das cadeias globais de suprimentos também são questões relevantes para a Corning. Guimarães observa que esse contexto reforçou a discussão sobre resiliência: a inovação não depende apenas da qualidade da tecnologia, mas também da capacidade de garantir a continuidade e a segurança no fornecimento. O desafio consiste em equilibrar cadeias mais resilientes com um ambiente que promova a inovação e a cooperação internacional.

Em relação ao Brasil, o executivo acredita que há um espaço significativo para um papel mais ativo na pesquisa e na manufatura de tecnologias avançadas. Ele menciona a presença de universidades de excelência, profissionais qualificados e uma base industrial robusta como fatores fundamentais. Ao aproximar pesquisa, indústria e inovação, é possível acelerar o desenvolvimento de soluções competitivas e criar um ambiente favorável para investimentos de longo prazo.

A lição dos 175 anos

Fundada em 1851, a Corning tem uma longa história de adaptação às revoluções tecnológicas, frequentemente atuando nos bastidores. A empresa produziu o bulbo de vidro da lâmpada de Thomas Edison em 1879, o vidro PYREX em 1915 e os substratos cerâmicos para catalisadores automotivos em 1972. Mais recentemente, em 2021, forneceu tecnologias de captura de imagem para o telescópio espacial James Webb.

Quando questionado sobre a longevidade da companhia, Guimarães atribui isso à sua capacidade de reinvenção. A Corning frequentemente desenvolve tecnologias que possibilitam a inovação em outras indústrias. A fórmula para o sucesso, segundo ele, continua a ser a mesma: identificar um desafio relevante, criar uma solução inovadora e produzi-la em escala.

Para a próxima década, Guimarães não aposta em uma única inovação transformadora. Ele prevê uma maior integração entre inteligência artificial, computação de alto desempenho, fotônica e infraestrutura digital. Acredita que aqueles que conseguirem reduzir barreiras de conectividade, aumentar a eficiência e ampliar a

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