Flávio Bolsonaro critica governo Lula por sobretaxa chinesa sobre carne brasileira
Flávio Bolsonaro alerta sobre riscos às exportações de carne bovina brasileira devido a novas tarifas da China.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) expressou preocupações sobre o impacto das políticas do governo atual nas exportações de carne bovina do Brasil. Ele aponta que o país pode enfrentar uma sobretaxa de 55% da China sobre os embarques que excederem a cota anual estabelecida.
Atualmente, já existe uma tarifa de 12% aplicada dentro dessa cota, o que, segundo Flávio, pode resultar em uma taxação total de 67% sobre o volume que ultrapassar o limite. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, ele questionou se o presidente Lula também o responsabilizaria por essas tarifas.
Flávio Bolsonaro participou recentemente de uma audiência pública em Washington, organizada pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), onde se discutiu a proposta de Donald Trump de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Durante a audiência, o senador solicitou que a implementação dessas taxas fosse adiada até após as eleições.
O senador busca se distanciar da imagem de “Tariflávio”, que surgiu após a divulgação das tarifas logo após um encontro com o presidente americano. Ele tem trabalhado para desvincular sua imagem das decisões tarifárias que podem afetar as exportações brasileiras.
As tarifas mencionadas por Flávio estão ligadas a uma cota que, conforme dados de uma consultoria financeira, já está praticamente esgotada. Até junho, o Brasil havia utilizado 98,5% da cota chinesa de importação de carne bovina, que é de 1,106 milhão de toneladas por ano.
A cota foi implementada pela China para proteger sua produção interna, com uma tarifa de 12% aplicável até o limite anual. Excedendo essa quantidade, a sobretaxa se torna aplicável, como alertado pelo senador.
No primeiro semestre deste ano, o Brasil exportou cerca de 1,5 milhão de toneladas de carne bovina, um aumento de 16% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse crescimento foi impulsionado pela urgência dos exportadores em embarcar dentro da cota, já que o processo de internalização na China pode levar de 45 a 60 dias.
De acordo com as projeções, as exportações brasileiras para a China devem enfrentar uma queda significativa no terceiro trimestre, devido à exaustão da cota.
O impacto mais relevante deve ser sentido no mercado interno, com a redução temporária das exportações para a China. Parte da produção que seria destinada ao exterior pode ser redirecionada para outros mercados ou permanecer no Brasil.
Os próximos meses devem ser caracterizados por um ajuste nas exportações e uma redistribuição da oferta entre o mercado interno e outros destinos. No entanto, há uma expectativa de que as compras chinesas se recuperem com a nova cota, mantendo a China como o principal mercado demandante da carne bovina brasileira.
É importante ressaltar que a consultoria não atribui o esgotamento da cota a falhas de negociação do governo brasileiro, mas sim a uma dinâmica de mercado, onde os exportadores anteciparam os embarques para assegurar espaço dentro do limite anual.
