Polícia Civil alerta para suposta pirâmide financeira em Nova Prata e região

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Investigação aponta promessas de ganhos fáceis, colapso da plataforma e possível responsabilização criminal dos envolvidos

A Polícia Civil de Nova Prata emitiu um alerta à população sobre a atuação de um suposto esquema de pirâmide financeira que vinha operando no município e em cidades da região. O tema foi detalhado na manhã desta quinta-feira (5), durante entrevista nos estúdios da Rádio Ativa, com a delegada Liliane Pasternak Kramm e o escrivão Bruno Vieira.

Segundo a autoridade policial, o aumento expressivo de registros de ocorrências levou à intensificação das apurações, e os mentores do esquema poderão ser responsabilizados criminalmente. As investigações indicam que o modelo de negócio se sustentava na captação contínua de novos participantes, com promessas de retornos financeiros muito acima dos praticados no mercado — característica típica de pirâmides financeiras.

Monitoramento e indícios do esquema

As apurações tiveram início a partir do monitoramento de atividades de um empreendimento localizado na Rua Luiz Marafon, no bairro Vila Lenzi, em Nova Prata. Conforme a Polícia Civil, o local apresentava movimentações atípicas, com filas frequentes e intensa adesão de novos participantes.

Relatos colhidos durante a investigação apontam que algumas pessoas chegaram a pedir demissão de seus empregos, além de contrair empréstimos, para investir no esquema. De acordo com a delegada, havia uma espécie de “lavagem cerebral” nas vítimas, com promessas de ganhos rápidos e irreais.

Em um dos episódios, a Polícia Civil interveio durante uma transmissão ao vivo feita por um representante do empreendimento, que tentava dar credibilidade à atividade. A live foi interrompida por se tratar, em tese, de uma prática ilícita.

Plataforma travada e colapso do sistema

Na semana passada, em 29 de janeiro, a Rádio Ativa entrevistou um dos responsáveis pelo marketing da empresa. Mesmo assim, diversas dúvidas permaneceram sem esclarecimento. Segundo informações divulgadas por integrantes do próprio grupo, cerca de 5 mil pessoas estariam envolvidas apenas em Nova Prata.

O funcionamento do esquema previa que o interessado escolhesse um valor de entrada e, após o pagamento, tivesse acesso a uma plataforma digital. Nela, seriam realizadas tarefas, sorteios e outras atividades que supostamente permitiriam recuperar rapidamente o valor investido, com lucros crescentes conforme a indicação de novos participantes.

Apesar da promessa de uma suposta sede em Londres, a reportagem não conseguiu contato com representantes oficiais da empresa no Brasil.

Na última sexta-feira (30), após um período inicial de pagamentos, a plataforma travou, impedindo que muitos usuários realizassem transferências dos valores que constavam em suas contas virtuais. Já nesta quarta-feira (4), o sistema voltou a operar solicitando novos depósitos como condição para liberar novamente o acesso — prática considerada fraudulenta pela Polícia Civil.

Fechamento do escritório e manifestações

Com o colapso do sistema, o escritório em Nova Prata foi fechado e os responsáveis cessaram qualquer manifestação pública. A situação gerou revolta entre os investidores, que passaram a se reunir em frente ao local em busca de explicações. A Brigada Militar precisou atuar para garantir a segurança e evitar danos ao patrimônio.

Desde a quarta-feira, diversas pessoas permanecem reunidas na Avenida Luiz Marafon, em frente ao estabelecimento, enquanto aguardam orientações. A Brigada Militar acompanhou a movimentação por um longo período.

Alerta às vítimas e orientação legal

A delegada Liliane Pasternak Kramm faz um alerta para um novo golpe em andamento, no qual vítimas estariam sendo pressionadas a realizar novos aportes financeiros sob a falsa promessa de recuperar valores já investidos. A Polícia Civil reforça que não devem ser feitos novos depósitos, pois o sistema já entrou em colapso e a recuperação dos valores é considerada improvável.

A autoridade policial também ressalta que publicações e tumultos em redes sociais não possuem validade jurídica e podem, inclusive, gerar responsabilização criminal. A divulgação e cooptação de novas pessoas para esse tipo de esquema é crime previsto na Lei de Economia Popular.

Por fim, a Polícia Civil orienta que as vítimas de Nova Prata e região mantenham a calma e compareçam à delegacia para registrar ocorrência policial. A formalização dos relatos, bem como a apresentação de documentos e comprovantes de transações, é fundamental para o avanço das investigações e para que o Judiciário possa autorizar medidas como prisões e quebras de sigilo.

Foto: Divulgação/ Redes Sociais

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