Diálogos entre Cunha e Fialek são investigados pela PF

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Mensagens de Eduardo Cunha revelam envolvimento na manipulação de emendas parlamentares

Interceptações realizadas pela Polícia Federal entre o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e a servidora Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, são fundamentais na investigação que resultou no bloqueio de R$ 6,15 milhões de Cunha. O conteúdo das mensagens sugere que, mesmo sem mandato desde 2016, ele continuava a influenciar a destinação de emendas parlamentares.

De acordo com as análises da PF, os diálogos revelam que Cunha estava diretamente envolvido na definição e remanejamento de recursos destinados a municípios, especialmente em Minas Gerais, tratando-os como uma “cota informal” sob sua influência. As comunicações mostram Cunha discutindo a autoria das emendas, solicitando mudanças nos municípios beneficiados e cobrando ações da servidora.

Em uma das conversas, datada de 12 de setembro de 2025, Cunha expressa preocupação com a atribuição política das emendas. Ele menciona um problema relacionado a uma emenda em Manhuaçu, onde um adversário político estava alegando que a emenda era de sua autoria. Cunha pede um ofício para resolver a situação, mostrando a urgência em garantir o controle político sobre os recursos.

Em novas mensagens, enviadas em 15 de setembro de 2025, Cunha orienta a troca de municípios para evitar confusões, evidenciando que a servidora estava seguindo suas instruções. A PF considera que essas interações demonstram a execução de alterações nas destinações de recursos conforme as orientações de Cunha.

O ex-deputado também menciona a dificuldade de distribuir recursos entre os municípios mineiros, indicando que sua preocupação era garantir a correta alocação dos valores, o que reforça a ideia de que ele ainda exercia influência sobre os processos mesmo fora do cargo.

A investigação também destaca o envio de uma planilha com a lista de municípios e valores que totalizavam R$ 5 milhões. Cunha se refere a um município específico, Goiana, mencionando problemas no cadastramento de recursos, o que sugere que ele estava ativamente monitorando a execução das emendas.

Em outro trecho, Cunha expressa frustração com a situação política em Minas Gerais, demonstrando a pressão que sentia para gerenciar as demandas locais. As mensagens coletadas pela PF mostram que ele discutia a autoria das emendas, escolhia os municípios beneficiários e determinava alterações na destinação dos recursos, mesmo sem exercer um mandato parlamentar.

A defesa de Eduardo Cunha nega qualquer irregularidade, afirmando que ele não formalizou as emendas em questão e que tomou conhecimento das ações pela imprensa. A defesa argumenta que as emendas foram apresentadas por parlamentares, que são os únicos com competência sobre o processo orçamentário, e que Cunha sempre pautou sua vida pública pela ética e legalidade.

Por sua vez, a defesa de Mariângela Fialek enfatiza que sua atuação na Câmara era exclusivamente técnica e impessoal, seguindo as diretrizes da Presidência da Câmara e do Colégio de Líderes. Os advogados afirmam que Fialek não é investigada por irregularidades e que as informações sobre as emendas são públicas, conforme a legislação vigente.

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