Valdemar atinge 20 anos sob investigação judicial
Valdemar Costa Neto enfrenta novas acusações de corrupção e controle de verbas públicas.
Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal, está novamente sob investigação da Justiça. O ministro do STF, Flávio Dino, apontou indícios de que, mesmo sem mandato, ele controlava verbas públicas de emendas parlamentares ao Orçamento da União.
A Polícia Federal identificou 21 emendas suspeitas, que totalizam R$ 119 milhões, destinadas a 18 municípios em estados como São Paulo, Paraná, Bahia e Rio de Janeiro. Em resposta, Dino suspendeu a execução dessas emendas e determinou o bloqueio de bens de Valdemar no mesmo valor.
A investigação da PF sobre Valdemar se intensificou a partir de diálogos encontrados no celular de Mariângela Fialek, ex-assessora do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira. Conhecida como Tuca, ela foi identificada como operadora do esquema envolvendo as verbas públicas.
Valdemar tem um histórico controverso de envolvimento em corrupção na política brasileira ao longo dos últimos vinte anos. Sua trajetória política começou ao lado de seu pai, Valdemar Costa Filho, que foi três vezes prefeito de Mogi das Cruzes e secretário de Abastecimento na gestão de Paulo Maluf na prefeitura de São Paulo nos anos 80.
Maluf foi fundamental para a ascensão de Valdemar, que se elegeu deputado federal pela primeira vez em 1990. No final da década de 1990, Valdemar se destacou em um escândalo de corrupção relacionado à construção da nova sede do Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo, conhecido como o escândalo do “Lalau”.
O Ministério Público acusou-o de desvio de recursos federais, resultando em uma condenação em primeira instância por corrupção passiva. No entanto, a sentença foi revista pelo Tribunal Regional Federal por questões técnicas, e não houve condenação definitiva.
Em 2000, Valdemar assumiu a liderança do Partido Liberal e, dois anos depois, tornou-se uma figura-chave nas alianças da campanha presidencial de Lula, filiando o então senador José de Alencar ao partido.
O Mensalão emergiu posteriormente, quando Roberto Jefferson, presidente do PTB, denunciou a compra de votos pelo governo. Valdemar admitiu ter recebido R$ 6,5 milhões não declarados à Justiça eleitoral, justificando que o montante seria para quitar dívidas da campanha de Lula.
O escândalo levou Valdemar a renunciar ao mandato em 2005, mas o Conselho de Ética da Câmara manteve seus direitos políticos. Ele foi reeleito em 2006 e 2010, sendo condenado em 2013 no julgamento do Mensalão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, recebendo uma pena de sete anos e dez meses de prisão.
Após passar 11 meses em regime semi-aberto, Valdemar migrou para prisão domiciliar e foi indultado em 2016. Contudo, ainda em liberdade condicional, foi apontado como destinatário de doações ilegais de campanha durante as investigações da Lava-Jato.
Em 2024, Valdemar voltou a ser preso, desta vez por posse ilegal de arma de fogo, encontrada pela Polícia Federal durante investigações sobre a tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023.
Ao longo de sua carreira, Valdemar transitou do apoio a Lula para uma adesão incondicional a Bolsonaro, refletindo o pragmatismo do Centrão. Durante os governos petistas, o PL se consolidou no Ministério dos Transportes, com todos os indicados pelo partido envolvidos em escândalos da Lava-Jato.
Com a ascensão de Jair Bolsonaro em 2018, Valdemar deixou o PT para trás, formando alianças estratégicas para garantir apoio legislativo e uma base sólida para a reeleição. O PL cresceu significativamente, tornando-se o maior partido no Congresso, com 98 deputados e 15 senadores.
Atualmente, sob a presidência de Valdemar, o PL administra um orçamento anual de R$ 211 milhões, além de R$ 881,6 milhões para financiamento de candidatos, representando a maior fatia do fundo eleitoral.
A aliança com Bolsonaro transformou o PL em uma máquina partidária rentável. Valdemar, que antes liderava um partido médio, agora preside o maior grupo político do Congresso.
No inquérito do STF, Valdem
