Futuro: O que está por vir

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Reflexões sobre a violência contra mulheres e suas consequências sociais.

Há uma forma de violência que não é contabilizada nas estatísticas, mas que causa tanto dano quanto a que é registrada oficialmente.

Essa violência se manifesta após o ato agressivo, refletindo-se em olhares desconfiados, perguntas maliciosas e insinuações que culpabilizam a vítima. A exposição pública e a necessidade de reviver o trauma repetidamente para convencer os outros de sua veracidade são aspectos dessa realidade cruel. Muitas vezes, a mulher é colocada no banco dos réus enquanto o agressor permanece na posição de dúvida.

Um exemplo recente que evidencia essa problemática é o caso de Thiago Brennand, que foi absolvido em uma das acusações de estupro. A decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo reverteu uma condenação anterior de oito anos, utilizando como argumento a suposta incompatibilidade do comportamento da vítima com a expectativa de uma pessoa que teria sofrido violência sexual.

Essa situação levanta questões fundamentais sobre o que se espera de uma vítima. Quem estabelece um padrão de reações após um estupro? Qual seria a reação correta? Chorar durante dias? Permanecer em silêncio? Entrar em depressão? Ou evitar sair de casa?

É importante reconhecer que a resposta a traumas varia enormemente entre indivíduos. Algumas pessoas podem entrar em choque, enquanto outras tentam seguir em frente como se nada tivesse ocorrido. Há aquelas que buscam ajuda imediatamente e outras que demoram a falar sobre suas experiências.

Essas diferentes reações não diminuem a condição de vítima de ninguém. Quando passamos a analisar a reação da mulher em vez da violência sofrida, estamos perpetrando uma segunda agressão.

Essa forma de julgamento é ainda mais cruel, pois transmite uma mensagem clara a todas as mulheres: antes de denunciar, esteja ciente de que será julgada.

Esse julgamento não vem apenas do agressor, mas também do sistema judicial, da sociedade e das redes sociais. Muitas vezes, homens que nunca viveram uma experiência similar acreditam saber exatamente como uma vítima deveria reagir e punem-na com injustiça se ela não corresponder a essas expectativas.

Adicionalmente, é relevante considerar o histórico de Thiago Brennand, que possui diversas acusações relacionadas à violência contra mulheres. Embora isso não implique culpa automática, é natural que a sociedade questione o que realmente influenciou a decisão judicial.

Foi o histórico do acusado que pesou mais ou a interpretação subjetiva sobre o comportamento da vítima após a violência? Essa indagação não é um ataque à Justiça, mas uma preocupação legítima.

Quando a atenção se desvia da conduta do agressor e se concentra na reação da vítima, a sensação de injustiça se intensifica.

O impacto mais profundo não reside apenas na absolvição, mas na mulher que sofreu violência e, ao ler sobre o caso, decide não denunciar. Ela pode concluir que enfrentar o agressor é menos doloroso do que lidar com o julgamento que se segue.

Uma sociedade que faz com que uma vítima tema mais a denúncia do que a própria violência já falhou em sua missão muito antes da sentença ser proferida.

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