Avanço tecnológico na agricultura brasileira enfrenta desafios no uso de dados
Congresso de Agricultura de Precisão destaca inovações e desafios no setor.
O 11º Congresso Brasileiro de Agricultura de Precisão e Digital (ConBAP) e a 17ª International Conference on Precision Agriculture (ICPA) tiveram início nesta segunda-feira, no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre. O evento sublinhou o avanço tecnológico no agronegócio brasileiro e os desafios enfrentados para converter dados em decisões eficazes de manejo.
Durante a abertura, o presidente da Associação Brasileira de Agricultura de Precisão e Digital (AsBraAP) destacou a importância histórica da realização conjunta dos congressos, marcando a primeira vez que a principal conferência mundial é sediada fora da América do Norte. Albuquerque também mencionou que a AsBraAP celebra uma década de atuação em 2026, reforçando o congresso como um espaço de troca de experiências e demonstração das inovações tecnológicas do setor.
O presidente da International Society of Precision Agriculture (ISPA) enfatizou que a escolha de realizar o evento em outro continente representa um passo significativo na internacionalização da entidade. Com a reestruturação da sua governança, a ISPA ampliou sua representatividade global, com a inclusão de diretores de todos os continentes e um aumento de 25% no número de membros ativos. Isso aponta para um comprometimento crescente da comunidade científica com o desenvolvimento da agricultura de precisão.
Na sua apresentação, Albuquerque fez um retrospecto sobre a agricultura brasileira, observando que o país, que era importador de alimentos até os anos 1960, se tornou uma potência agrícola graças ao avanço da pesquisa e tecnologia, especialmente pela atuação da Embrapa. O papel do Rio Grande do Sul foi destacado como crucial na adoção de práticas de precisão e na importância da colaboração entre produtores, pesquisadores e empresas para o fortalecimento do modelo digital de produção.
O professor José Paulo Molin, da Esalq/USP, compartilhou dados sobre a utilização de tecnologias de precisão na América Latina. Ele revelou que 86% dos produtores brasileiros consultados utilizam ferramentas digitais para a aplicação de calcário, embora esse número diminua quando se trata de agroquímicos. Molin alertou sobre a dependência do Brasil em relação a fertilizantes importados e defendeu um uso mais eficiente desses insumos, afirmando que este é o momento ideal para tal estratégia.
O especialista também abordou os desafios enfrentados pelas pequenas propriedades rurais, que totalizam cerca de 4 milhões no Brasil. Muitas dessas propriedades ainda adotam um tratamento uniforme do solo, sem levar em conta as variações de produtividade. Molin enfatizou a necessidade de aprimorar a precisão na coleta e análise de dados.
O dia seguiu com um painel sobre o cenário europeu, apresentado pelo pesquisador italiano Davide Cammarano, conhecido por suas pesquisas em agroecologia e modelagem de culturas. O contexto norte-americano também foi abordado por Simerjeet Virk, da Auburn University, que discutiu a importância da extensão rural e dos sistemas de máquinas agrícolas na promoção da agricultura digital.
O primeiro dia do ConBAP e da ICPA consolidou Porto Alegre como um importante centro de debates sobre inovações e sustentabilidade no agronegócio, reunindo especialistas de diversos países para discutir o futuro da agricultura de precisão e o uso inteligente de dados no campo.
