Rumble reabre suas atividades no Brasil sem autorização do STF

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Rumble reestabelece seu funcionamento no Brasil após suspensão de um ano.

A plataforma de compartilhamento de vídeos Rumble retornou às atividades no Brasil na quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026. O serviço havia sido suspenso desde fevereiro de 2025, quando o ministro Alexandre de Moraes decidiu bloquear o acesso devido ao não cumprimento de ordens judiciais.

O advogado da Rumble, Martin De Luca, afirmou desconhecer qualquer decisão formal que autorizasse a reabertura do site no Brasil. Além disso, não houve comunicação sobre a suspensão das multas diárias que foram impostas pela Corte.

O retorno da plataforma ocorreu sem aviso prévio ou explicações claras das autoridades brasileiras. Tentativas de esclarecimento junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Anatel não resultaram em respostas até o fechamento desta matéria.

Para que a Rumble pudesse operar novamente no país, Moraes havia estabelecido três condições: o cumprimento integral das ordens judiciais, o pagamento das multas acumuladas e a designação de um representante legal no Brasil. Até o momento, não há confirmação se essas exigências foram atendidas.

De Luca expressou a expectativa de que qualquer mudança seja confirmada pelos canais legais apropriados, destacando o compromisso da empresa com a liberdade de expressão e o Estado de Direito.

A suspensão da Rumble foi determinada após a recusa da empresa em remover o perfil do jornalista Allan dos Santos e bloquear os repasses financeiros a ele. O STF também havia solicitado que a Rumble indicasse um representante legal no Brasil, uma exigência que não foi cumprida pela plataforma. O CEO da Rumble, Chris Pavlovski, respondeu publicamente ao ministro, afirmando que a empresa não acataria ordens que considerava ilegais.

O Rumble, que oferece uma alternativa ao YouTube, foi fundado em 2013 e ganhou notoriedade a partir de 2020, especialmente durante as eleições presidenciais nos Estados Unidos. Com sede em Toronto, a plataforma está listada na Nasdaq desde 2021 e recebeu investimentos significativos.

Com mais de 70 milhões de usuários ativos mensalmente, a Rumble adota uma política editorial mais permissiva, evitando o uso de algoritmos para filtrar conteúdos, exceto em casos de material ilegal ou que infrinja direitos autorais. Contudo, não se sabe se houve mudanças em suas diretrizes desde a suspensão.

A Rumble e o Trump Media & Technology Group processaram o ministro Moraes por suposta censura em fevereiro de 2025, mas o processo está paralisado desde agosto. O ministro foi notificado pelo Superior Tribunal de Justiça, e a Procuradoria Geral da República já se manifestou pela rejeição da notificação. As alegações envolvem questões de censura e violação da soberania dos Estados Unidos.

Recentemente, ambas as empresas protocolaram um pedido na Justiça da Flórida para que Moraes seja notificado por e-mail, utilizando o mesmo endereço que ele usou para notificar a Rumble sobre a remoção de conteúdos.

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