Criminosos que promoviam fraudes em campanhas de doação na internet são presos no RS e em outros estados

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Polícia Civil desmantela esquema de fraudes com doações falsas em operação nacional

A Polícia Civil gaúcha deflagrou, na manhã desta terça-feira, a Operação Sophia para desarticular uma organização criminosa responsável pela divulgação de falsas campanhas de doação na internet. A ação foi realizada em cinco estados brasileiros: Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pernambuco.

No total, foram cumpridos 19 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão, resultando na prisão de onze indivíduos envolvidos no esquema.

A investigação teve início após uma mãe relatar que imagens e vídeos de sua filha, que está em tratamento contra o câncer, estavam sendo utilizados em anúncios pagos nas redes sociais para arrecadar doações fraudulentas. A partir dessa denúncia, as autoridades iniciaram diligências para identificar os responsáveis pela criação e manutenção da estrutura digital do crime.

Durante a apuração, foi possível rastrear pelo menos R$ 294,5 mil relacionados a essa falsa campanha através de chaves Pix e gateways de pagamento. A investigação também revelou movimentações financeiras muito mais altas em contas e empresas ligadas à organização criminosa, destacando uma empresa que funcionava como hub financeiro, realizando transações que ultrapassaram R$ 1,7 milhão durante o período em questão.

Como funcionavam as fraudes

As fraudes eram caracterizadas pela criação de falsas campanhas de arrecadação, utilizando imagens e vídeos de pessoas em situações vulneráveis, principalmente crianças em tratamento de doenças graves. O esquema foi descoberto após a publicação de um vídeo solicitando doações para uma criança em tratamento contra o câncer, que não havia autorizado a campanha e não recebeu os valores arrecadados.

Os conteúdos eram impulsionados nas redes sociais através de páginas como “Clube de Doadores”, “Doadores com Amor” e “Unidos pelo Amor”, ampliando o alcance e atingindo milhares de pessoas. Ao clicar nos anúncios, as vítimas eram redirecionadas para páginas falsas que simulavam plataformas legítimas de doação.

Nos sites fraudulentos, as pessoas escolhiam o valor da suposta ajuda e recebiam um QR Code Pix ou código Pix para realizar a transação. Entretanto, o dinheiro era desviado para contas bancárias, empresas de fachada e gateways de pagamento controlados pelos criminosos.

A investigação revelou que os autores contavam com estratégias sofisticadas e usavam inteligência artificial para aplicar os golpes, tornando a operação ainda mais complexa e difícil de ser detectada.

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