Aumento na prática de esteira não assegura maior queima de gordura devido ao metabolismo

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O gasto energético durante exercícios é mais complexo do que uma simples equação matemática.

Uma crença comum no mundo do esporte considera o corpo humano como uma calculadora térmica, onde a queima de calorias é linear e proporcional ao tempo de exercício. Essa ideia sugere que, se meia hora de exercício aeróbico queima 300 calorias, uma hora queimaria 600. Contudo, essa visão simplista ignora a complexidade da biologia e do metabolismo humano.

Um estudo recente desafiou o modelo tradicional de gasto energético, que assume uma relação linear. Ao analisar diferentes indivíduos durante exercícios aeróbicos, como a corrida, foi observado que o aumento no gasto energético diário foi apenas 30% do esperado, evidenciando que o metabolismo humano não opera de forma tão simples.

Em vez de somar todas as calorias queimadas durante o exercício ao gasto energético total do dia, o corpo humano realiza uma compensação parcial. Essa compensação é uma resposta adaptativa a um déficit calórico agudo, onde o organismo ativa mecanismos de economia de energia para proteger suas reservas, priorizando a sobrevivência.

Por exemplo, o metabolismo pode desacelerar levemente durante o exercício intenso, reduzindo a energia destinada a processos fisiológicos não urgentes. Essa estratégia é uma resposta ao estresse causado por treinos exigentes, demonstrando que o corpo não queima energia de maneira ilimitada.

Uma revisão recente apontou que a redução da atividade física não estruturada é uma defesa comum. Quando iniciamos um treinamento intenso, tendemos a nos mover menos durante o dia, o que diminui significativamente o déficit calórico total. Essa adaptação é uma estratégia do corpo para preservar energia.

Além disso, a prática de treinos intensos por longos períodos leva o corpo a se adaptar, tornando os sistemas neuromuscular e cardiovascular mais eficientes. Com isso, menos energia é necessária para realizar a mesma quantidade de trabalho, reforçando a ideia de que mais exercício não necessariamente resulta em maior gasto energético.

Variabilidade

A variabilidade entre os seres humanos é um fator importante a ser considerado. Pesquisas indicam que a compensação energética após a introdução de exercícios pode variar em média em torno de 18%, mas essa taxa apresenta grande heterogeneidade entre indivíduos. Fatores como a duração do exercício, genética e a quantidade de tecido adiposo inicial desempenham papéis cruciais nessa compensação.

Um estudo de 12 semanas com adultos acima do peso revelou diferenças significativas nos níveis de compensação metabólica entre grupos: enquanto um grupo registrou 35%, outro alcançou 63%. Isso deixa claro que passar mais tempo em atividades físicas não garante um aumento proporcional na perda de gordura corporal.

A prática de exercícios continua sendo fundamental para a saúde cardiometabólica e contribui para a redução da gordura corporal. Entretanto, a ciência sugere que existe uma lei dos retornos decrescentes: após um certo ponto, aumentar o volume de treinamento resulta em um impacto calórico líquido cada vez menor.

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