Campanha de Flávio busca apoio da OAB para retomar visitas a Bolsonaro, mas demonstra pessimismo em relação a Moraes
Flávio Bolsonaro busca reverter decisão do STF que impede visitas ao pai.
A pré-campanha de Flávio Bolsonaro está se mobilizando para reverter a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que proibiu o senador de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro pelos próximos 90 dias.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) enviou um ofício a Moraes, solicitando que seja garantida a comunicação pessoal e reservada entre advogado e cliente, conforme as condições que o ministro considerar necessárias.
Aliados de Flávio reconhecem a dificuldade de convencer Moraes ou outros membros da Primeira Turma do STF a revogar a medida, uma vez que muitos deles são vistos como adversários do bolsonarismo. Apesar disso, a defesa do senador busca a intervenção da OAB para avaliar a disposição da Corte em reconsiderar a decisão.
Os ministros do Supremo têm opiniões divergentes sobre o caso. Um deles expressou a expectativa de uma solução intermediária e criticou a proibição imposta por Moraes, enquanto outro considerou a solicitação da OAB como “tolice” e apoiou o relator.
Os aliados mais otimistas de Flávio acreditam que a restrição ao contato pode ser reduzida antes do prazo de 90 dias e minimizam os possíveis impactos eleitorais. Eles não descartam a possibilidade de que Moraes aceite o pedido da OAB, o que poderia reforçar a narrativa de perseguição política, unir diferentes setores da direita e aumentar a visibilidade do senador.
A estratégia atual é aguardar a resposta de Moraes antes de decidir sobre a apresentação de recursos. A defesa de Jair Bolsonaro também pode contestar a decisão, que será analisada pelo próprio relator ou pela Primeira Turma, composta por Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.
Na última segunda-feira, Moraes decidiu suspender as visitas de Flávio ao pai, alegando que o senador descumpriu uma medida cautelar que proíbe o ex-presidente de se manifestar nas redes sociais. Recentemente, Flávio havia divulgado uma carta escrita por Bolsonaro.
Flávio, que é advogado e parte da equipe de defesa do pai desde março, acionou a Procuradoria Nacional de Defesa das Prerrogativas da OAB para garantir o contato direto com o ex-presidente.
Reservadamente, um ministro do STF considerou a proibição das visitas um gesto negativo, comparando com a situação de Lula, que tinha a possibilidade de se comunicar enquanto estava preso. Para esse magistrado, manter a restrição até após o primeiro turno poderia ser visto como uma interferência nas eleições.
Contudo, a decisão de Moraes é apoiada por membros da Corte que acompanham sua linha de atuação desde o início do processo sobre a tentativa de golpe. Assessores próximos ao ministro acreditam que, se o tema for levado à Primeira Turma, haverá uma maioria para manter a proibição.
Ministros de uma ala divergente do Supremo criticam a suspensão, argumentando que a lei garante aos presos o direito de manter contato com o mundo exterior por meio de correspondência escrita.
Por outro lado, um ministro alinhado a Moraes defendeu que não se deve considerar que Flávio visita Bolsonaro apenas na qualidade de advogado, mas também como sucessor político e pré-candidato à presidência.
Os articuladores da campanha reconhecem que a falta de contato pode prejudicar a definição de estratégias, uma vez que Bolsonaro costuma aconselhar o filho nas decisões políticas. No entanto, acreditam que a carta divulgada já posicionou Flávio como porta-voz do pai entre os eleitores de direita, atenuando parte do impacto da restrição.
Os aliados de Flávio veem as decisões de Moraes como parciais aos olhos do eleitorado bolsonarista, o que pode acabar fortalecendo o senador. Em uma transmissão ao vivo, Flávio acusou Moraes de tentar interferir nas eleições e de buscar o retorno de Jair Bolsonaro à prisão.
“Os que têm caneta não podem decidir no lugar dos que têm voto”, afirmou.
Em suas redes sociais, Eduardo Bolsonaro também se manifestou sobre a proibição das visitas, sugerindo que, devido a essa situação, outros países não deveriam reconhecer as eleições presidenciais brasileiras como democráticas.
