Barragens construídas nos últimos 190 anos mudam duração do dia e eixo de rotação da Terra

Compartilhe essa Informação

Estudo revela que represas podem causar deslocamento dos polos geográficos da Terra.

Pesquisadores analisaram o impacto geológico das represas em uma escala global, revelando que a construção dessas estruturas pode provocar um leve deslocamento dos polos geográficos do planeta.

A represa das Três Gargantas, na China, é um exemplo notável de um projeto hidrelétrico que, embora único em sua magnitude, se insere em um contexto global de milhares de reservatórios. A pesquisa recente destaca como a acumulação de água em represas influencia a geografia da Terra, alterando a distribuição de massa e, consequentemente, o eixo de rotação do planeta.

Deslocamento dos polos

O estudo identificou que a construção de represas resulta em mudanças geológicas significativas. Os polos geográficos, tradicionalmente considerados fixos, também podem se mover devido a alterações na distribuição de massa provocadas por grandes reservatórios de água.

Os polos geográficos e magnéticos não são estáticos; enquanto os magnéticos se deslocam lentamente, os geográficos também podem sofrer mudanças. A estrutura da Terra, composta por várias camadas, permite que a crosta terrestre se mova de forma independente, influenciada por forças físicas em ação.

A camada externa da Terra, embora sólida, flutua sobre o manto, o que possibilita esse tipo de movimento. Assim, a alteração na geografia, como o deslocamento de grandes volumes de água, pode impactar a posição dos polos.

Redistribuição de massa

A movimentação de água para reservatórios não apenas reduz o nível do mar, mas também redistribui a massa pelo globo. Essa redistribuição tem implicações diretas no equilíbrio geológico da Terra.

“Ao retermos água atrás de represas, alteramos a massa distribuída no planeta,” afirmou uma das pesquisadoras do estudo.

6.862 reservatórios

O estudo focou em 6.862 reservatórios, com um volume de água equivalente ao dobro do Grand Canyon. A análise revelou que, entre 1835 e 2011, essa acumulação de água fez com que o eixo de rotação da Terra se deslocasse quase um metro.

Esse deslocamento ocorreu em duas fases: a primeira, entre 1835 e 1954, resultou em um movimento de 20,5 cm em direção ao meridiano de 103° Leste, devido a barragens na Europa e América do Norte. A segunda fase, de 1954 a 2011, foi impulsionada por construções na Ásia e Leste da África, deslocando o polo 57 centímetros em direção ao meridiano de 117° Oeste.

Mais do que apenas reservatórios

Embora as mudanças geográficas sejam sutis, elas têm significado. As placas tectônicas estão em constante movimento, e entender esses deslocamentos pode ajudar a compreender dinâmicas geológicas e o impacto das atividades humanas.

“Embora o deslocamento do polo seja pequeno, isso pode ter implicações para o nível do mar,” concluiu a pesquisadora.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *