EUA propunham abertura total de mercados sem condições, afirma Mauro Vieira

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Ministro das Relações Exteriores critica tarifas dos EUA como tentativa de capitulação do Brasil.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, revelou que as negociações com os Estados Unidos foram marcadas por exigências consideradas desmedidas, buscando uma capitulação do governo brasileiro. Segundo ele, o governo de Donald Trump demandou uma abertura total dos mercados brasileiros sem oferecer contrapartidas.

Em uma coletiva de imprensa realizada na quinta-feira, Vieira destacou que a insatisfação do governo Trump se deve ao fato de o Brasil não ceder às demandas excessivas apresentadas durante as conversações. Ele enfatizou que a proposta incluía a abertura irrestrita de setores inteiros da economia brasileira, sem reciprocidade para os produtos nacionais.

Na quarta-feira, os EUA anunciaram a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre alguns produtos brasileiros, alegando práticas comerciais desleais. O governo brasileiro, no entanto, contesta as justificativas apresentadas para essa medida.

Durante seu pronunciamento, o ministro reafirmou que não há base justificável para a adoção dessas tarifas contra o Brasil. Ele também mencionou um episódio anterior, em julho de 2025, quando uma tarifa de 50% foi imposta ao Brasil, que Vieira atribui a motivações políticas relacionadas a um julgamento sobre tentativas de golpe de Estado liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Vieira acrescentou que, no contexto do julgamento ocorrido em 8 de janeiro, Trump solicitou ao Escritório do Representante Comercial dos EUA a abertura de uma investigação contra o Brasil, com base na Seção 301 da Lei do Comércio dos EUA.

O ministro destacou ainda que, nos últimos 15 anos, os EUA acumularam um superávit de US$ 424 bilhões em bens e serviços com o Brasil. Em 2025, 76% das importações dos EUA para o Brasil foram isentas de impostos de importação, incluindo a maioria dos principais produtos americanos comercializados no país.

Apesar das dificuldades e da motivação política por trás das tarifas, o Brasil continuou buscando um acordo que pudesse evitar a imposição do tarifaço. Vieira concluiu que não houve racionalidade na aplicação dessas tarifas, que impactam diretamente as relações comerciais entre os dois países.

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