Superbactérias hospitalares desenvolvem mutações raras que as tornam resistentes à última linha de defesa contra infecções
Descobertas sobre mutações em bactérias hospitalares aumentam preocupações com a resistência antimicrobiana.
Pesquisadores identificaram mutações raras em uma das bactérias mais perigosas encontradas em hospitais, permitindo que ela escape da ação de um dos antibióticos mais importantes da medicina moderna. Essa descoberta eleva as preocupações sobre o avanço da resistência antimicrobiana, considerada uma das maiores ameaças à saúde pública global.
O estudo investigou casos de pneumonia grave em pacientes na China e revelou duas novas variantes da enzima KPC, denominadas KPC-71 e KPC-78. Essas mutações foram detectadas em bactérias da espécie Pseudomonas aeruginosa, conhecida por causar infecções hospitalares de difícil tratamento, especialmente em pacientes internados em unidades de terapia intensiva ou com o sistema imunológico comprometido.
Cientistas descobriram que pequenas alterações na estrutura da enzima afetam sua interação com a combinação de antibióticos ceftazidima-avibactam (CZA), considerada um tratamento de última linha quando outros medicamentos falham. As mutações aumentam a eficiência da enzima em destruir a ceftazidima e dificultam a ação do avibactam, que bloqueia esse mecanismo de resistência.
Para confirmar a relação entre as variantes e a perda de eficácia do medicamento, os pesquisadores inseriram os genes mutantes em uma cepa de laboratório da bactéria. O resultado foi imediato: as bactérias modificadas demonstraram resistência ao tratamento.
Entretanto, os pesquisadores observaram que essa adaptação tem um custo. As novas enzimas reduziram a capacidade da bactéria de resistir aos carbapenêmicos, outro grupo importante de antibióticos. Apesar disso, as amostras coletadas dos pacientes apresentavam níveis de resistência ainda mais elevados, sugerindo que outros mecanismos também contribuem para o fortalecimento dessas superbactérias.
De acordo com estimativas, a resistência antimicrobiana esteve diretamente ligada a cerca de 1,27 milhão de mortes em 2019, com projeções indicando que esse número poderá aumentar significativamente nas próximas décadas.
Os autores do estudo defendem a necessidade de um monitoramento constante dessas mutações, especialmente em ambientes hospitalares, para que novas formas de resistência sejam identificadas antes que comprometam ainda mais as últimas linhas de defesa disponíveis contra infecções graves.
