Trump denuncia interferência da China nas eleições de 2020 que lhe custaram a vitória sobre Biden
Trump alega interferência chinesa nas eleições de 2020 em pronunciamento recente.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez graves acusações durante um pronunciamento, afirmando que a China interferiu nas eleições americanas de 2020, que resultaram em sua derrota para Joe Biden.
Essas alegações de fraude eleitoral por parte de Trump são antigas e foram um dos fatores que motivaram a invasão do Capitólio por seus apoiadores em 6 de janeiro de 2021, quando o Congresso validaria os resultados da eleição.
Recentemente, Trump anunciou a abertura de cinco grupos de documentos pela Casa Branca que, segundo ele, comprovariam as fraudes nas eleições de 2020.
“Eles demonstram que, ao longo de vários anos — começando durante o ciclo eleitoral de 2020 —, a República Popular da China realizou o que se acredita ser a maior violação de dados eleitorais da história, resultando na obtenção ilícita, por parte da China, de registros de 220 milhões de eleitores americanos”, alegou Trump.
Além disso, Trump afirmou que solicitou ao diretor do FBI, Kash Patel, que iniciasse uma investigação sobre a suposta interferência da China e acusou funcionários da inteligência americana de encobrirem as evidências de fraude.
O presidente também fez acusações sobre a modalidade de votação pelo correio, afirmando que muitos votos enviados dessa forma seriam falsificados.
“A China e outros países têm tentado interferir em nossas eleições, e evidências de fraude foram ocultadas. Centenas de milhares de não cidadãos e pessoas falecidas constam como ativos nas listas de eleitores e, ainda assim, realizamos eleições sem exigência de identificação do eleitor ou comprovação de cidadania”, afirmou Trump.
Trump reiterou suas críticas ao sistema de votação dos EUA, destacando a vulnerabilidade das eleições e da apuração. Nos Estados Unidos, cada estado é responsável por sua própria votação e contagem.
Ele também ameaçou os canais de TV ABC e NBC, que se recusaram a transmitir seu pronunciamento ao vivo, com a revogação de suas licenças.
Derrota eleitoral e falsa alegação de fraude
Democratas alertaram que Trump estaria tentando reviver alegações infundadas sobre fraudes eleitorais para deslegitimar as próximas eleições legislativas de 2026, nas quais o Partido Republicano enfrenta desafios significativos.
A obsessão de Trump com sua derrota para Biden e as teorias sobre o pleito, já amplamente desmentidas, continuam a ser temas recorrentes em suas falas desde seu retorno à Casa Branca em 2025.
“Elevar esses tópicos profundamente políticos e conspiratórios a um pronunciamento presidencial em horário nobre destaca até que ponto Trump tem usado seu segundo mandato para romper normas e se concentrar em antigas queixas.”
Tribunais contra as conspirações de Trump
A alegação de fraude em 2020 foi rejeitada por tribunais, auditorias eleitorais e pelo Departamento de Justiça durante o primeiro mandato de Trump, que não encontrou evidências de manipulação nas urnas eletrônicas.
Na ocasião, a agência federal de segurança cibernética classificou a votação como “a mais segura da história dos Estados Unidos”.
- Desde que voltou à Casa Branca, o governo Trump tem ampliado a supervisão federal sobre a administração das eleições e proposto mudanças no sistema de votação.
- Especialistas em direito eleitoral afirmam que essas iniciativas retirariam poderes dos Estados, o que poderia violar a Constituição americana.
Com as eleições legislativas de novembro se aproximando, que definirão o controle do Congresso, democratas e especialistas em segurança eleitoral expressam preocupação sobre uma possível interferência do governo no processo eleitoral.
Especialistas alertam que, ao insistir na ilegitimidade da eleição de 2020, Trump pode estar preparando o terreno para contestar derrotas republicanas e minar a legitimidade de vitórias democratas.
