Exportadoras alertam que carne brasileira pode não atender às exigências da UE sobre antimicrobianos
União Europeia proíbe importações de carne e produtos de origem animal do Brasil.
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) expressou preocupações sobre a capacidade da produção brasileira de atender às exigências da União Europeia em relação ao uso de antimicrobianos, o que pode resultar na perda de acesso a esse mercado.
Roberto Perosa destacou que o Ministério da Agricultura está em diálogo com todos os elos da cadeia produtiva, incluindo a indústria e os pecuaristas, para buscar uma solução viável, embora ainda não exista uma decisão definitiva.
Ele alertou que, devido ao ciclo de criação bovina, a adaptação às novas exigências pode levar até 30 meses, o que representa um desafio significativo para a indústria.
Antimicrobianos são utilizados para tratar e prevenir infecções em animais, e sua utilização como promotores de crescimento é restringida pela legislação europeia.
Em 2024, o Brasil estava autorizado a exportar carne bovina, de frango e de cavalo, além de outros produtos como tripas, pescado e mel. Com a nova decisão, o país ficará impedido de exportar esses itens para a União Europeia.
Enquanto isso, outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, continuam habilitados para exportar para o bloco europeu.
A Comissão Europeia informou que o Brasil foi retirado da lista de exportadores por não apresentar as informações necessárias que comprovem a conformidade da produção com as exigências sobre antimicrobianos.
Apesar de representar uma fração do volume total de exportações, o mercado europeu é considerado estratégico, pois concentra a demanda por cortes de maior valor agregado. No último ano, 5% das exportações brasileiras de carne foram destinadas à União Europeia.
A medida impõe uma cota anual inicial de 1,1 milhão de toneladas para o Brasil, com uma sobretaxa de 55% sobre as exportações que excederem esse limite, o que pode impactar ainda mais a indústria.
Perosa observou que os efeitos das restrições já são visíveis, com dificuldades de escoamento da produção que cresceu significativamente nos últimos anos, resultando em férias coletivas em frigoríficos.
Ele enfatizou que a demanda global de carne não é mais a mesma, o que afeta diretamente os preços no mercado interno.
Embora o mercado interno continue sendo o principal, a exportação complementa a demanda e ajuda a estabilizar os preços. A ausência da demanda externa, especialmente da China, está causando dificuldades para muitas indústrias, que atualmente operam no vermelho.
Sobre os preços da carne no Brasil, Perosa acredita que, inicialmente, eles devem permanecer estáveis, mas a pressão sobre as margens de produção e a recuperação econômica podem levar a reajustes futuros.
A expectativa é que o preço da carne se mantenha estável no curto prazo, mas aumentos podem ocorrer posteriormente.
