Jovem CEO de 22 anos defende modelo de trabalho 9-9-6 e afirma que esforço abaixo de 100% é equivalente a zero

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Polêmica sobre jornada de trabalho em startup de IA gera debates nas redes sociais.

No final de 2024, Daksh Gupta, fundador e CEO de uma startup de inteligência artificial no Vale do Silício, gerou controvérsia ao afirmar em um tuíte que sua empresa não prioriza o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. Ele declarou que busca funcionários dispostos a trabalhar até 100 horas por semana, incluindo fins de semana.

Gupta, em um contexto de alta competitividade no mercado, argumentou que o esforço de 95% é equivalente a não se esforçar. Essa declaração provocou uma onda de críticas nas redes sociais, levando o jovem CEO a esclarecer sua posição em um podcast um ano depois. Ele afirmou que o modelo de trabalho 9-9-6, que abrange das nove da manhã às nove da noite, seis dias por semana, não é uma regra rígida em sua empresa.

Durante uma entrevista sobre a vida social dos jovens empreendedores no Vale do Silício, Gupta mencionou atividades como musculação e a ausência de bebidas alcoólicas, que se tornaram parte de uma cultura de trabalho intensa. Entretanto, suas palavras foram tiradas de contexto, gerando uma polêmica que ele não negou, embora tenha se distanciado do rótulo “9-9-6”.

Ele admite que sua equipe realmente trabalha até as nove e meia da noite e frequentemente nos fins de semana, mas discorda da ideia de que isso seja uma imposição. Para Gupta, a expressão “9-9-6” evoca uma prática antiquada e opressiva, algo que ele deseja evitar em sua gestão.

O trabalho como produto

Gupta defende que as oportunidades em sua empresa são vistas como “um produto”. Ele oferece salários atrativos, um pacote de ações generoso e desafios técnicos em um ambiente de equipe reduzida, em troca de dedicação total dos funcionários.

Para garantir transparência, ele apresenta aos candidatos informações sobre o faturamento, crescimento e satisfação dos clientes antes da contratação. Gupta acredita que aqueles que buscam uma jornada de trabalho confortável não se alinham com a proposta de sua empresa, que não oferece estabilidade no sentido convencional.

A abordagem de Gupta reflete uma tendência crescente entre startups do Vale do Silício. Outros fundadores também têm defendido jornadas extensas, com alguns chegando a 90 horas semanais, enquanto figuras proeminentes da tecnologia, como Elon Musk, têm exigido entre 60 e 80 horas de trabalho de suas equipes.

Enquanto isso, a China proibiu a jornada 9-9-6 há cinco anos, considerando-a ilegal após várias mortes relacionadas ao excesso de trabalho. O retorno desse modelo no Vale do Silício levanta questões sobre a ética e a sustentabilidade do trabalho intenso.

O outro lado

A postura de Gupta não é unânime no ecossistema de startups. Críticos, como Suranga Chandratillake, argumentam que essa filosofia é impulsionada por investidores que priorizam retornos rápidos em detrimento do bem-estar dos funcionários. Outros especialistas alertam que exigir trabalho em todos os dias da semana é um sinal de alerta para potenciais investidores.

Estudos indicam que o esgotamento da equipe fundadora é um fator que contribui para o fechamento de startups, embora não seja a causa principal. Em contrapartida, algumas empresas estão promovendo semanas de trabalho mais curtas, evidenciando uma contradição no setor de tecnologia, onde a pressão por longas jornadas ainda predomina.

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