Tecnologia transforma o atendimento no SUS

Compartilhe essa Informação

A telemedicina transforma o acesso à saúde no Brasil

Para muitos brasileiros, especialmente os que residem em áreas remotas, conseguir atendimento médico especializado é um desafio que envolve longas viagens e altos custos. No entanto, a crescente conectividade digital tem alterado esse panorama, especialmente no Sistema Único de Saúde (SUS).

A expansão da internet banda larga e das redes móveis 4G e 5G permitiu que o atendimento remoto se tornasse uma realidade, encurtando distâncias que antes exigiam deslocamentos complexos. Agora, consultas por vídeo podem ser realizadas diretamente da unidade de saúde local ou até mesmo da casa do paciente, utilizando um celular.

Essa abordagem vai além do simples atendimento. Especialistas colaboram com médicos locais, combinando conhecimento técnico com a compreensão das realidades sociais e sanitárias de cada comunidade. Isso resulta em um atendimento mais adaptado às necessidades regionais e reduz a dependência de encaminhamentos para centros de referência.

O projeto TeleAMES, iniciado em 2021, já realizou mais de 550 mil atendimentos, conectando especialistas a pacientes em áreas remotas do Norte e Centro-Oeste. Essa iniciativa, parte do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, busca criar soluções inovadoras e avaliar resultados antes de uma ampliação para a rede pública.

A pandemia de covid-19 acelerou a adoção da telemedicina, transformando o atendimento remoto em uma necessidade. A regulamentação da modalidade trouxe segurança jurídica, permitindo a consolidação da assistência híbrida. Inicialmente focadas em pronto-atendimento, as consultas remotas agora abrangem diversas áreas, como telemonitoramento, acompanhamento ambulatorial e telessaúde, que inclui serviços de diferentes profissionais de saúde.

Experiência de telereabilitação

Um estudo recente explorou um programa de telereabilitação para pacientes em ventilação mecânica, conduzido por instituições em São Paulo e Porto Alegre. O projeto avaliou 2.000 pacientes com insuficiência respiratória aguda, oferecendo planos de reabilitação individualizados desde a UTI até a alta hospitalar, com acompanhamento remoto.

Para garantir a inclusão, foram fornecidos smartphones e acesso à internet para aqueles sem dispositivos. Os resultados mostraram uma redução significativa nas sequelas físicas, na mortalidade e no tempo de internação, evidenciando a eficácia da telereabilitação.

Entretanto, a eficácia pode variar conforme a estrutura das UTIs. Unidades com intensivistas experientes podem não se beneficiar tanto quanto aquelas com dificuldades estruturais. A heterogeneidade das UTIs brasileiras apresenta um desafio, mas também uma oportunidade para a implementação de estratégias híbridas.

A equipe agora analisa a viabilidade econômica do programa, buscando calcular custos e comparar com a diminuição de gastos hospitalares. A expectativa é que a intervenção mostre uma relação de custo-benefício favorável, utilizando recursos acessíveis e impactando positivamente a mortalidade e a capacidade produtiva dos pacientes.

Migração da saúde para o digital

A descentralização do SUS traz benefícios, mas também desafios na integração de informações. Muitas unidades ainda utilizam documentos em papel, o que torna o processo burocrático e lento. A digitalização de prontuários e resultados de exames é essencial para reduzir a fragmentação da assistência.

Atualizar os sistemas de informação é crucial para melhorar os atendimentos. Sistemas antigos, como o SIM e o Sinan, dificultam a coleta e análise de dados, resultando em retrabalho e ineficiência. A automação desses processos pode otimizar o tempo dos profissionais de saúde, permitindo um atendimento mais eficaz.

A digitalização também possibilita um modelo de gestão baseado em dados, essencial para construir diagnósticos sobre as condições de saúde no Brasil. Esses dados ajudam a entender como diferentes populações são afetadas, considerando não apenas o acesso aos serviços, mas também fatores como qualidade da água e condições de vida.

Entretanto, a mera existência de dados não gera políticas públicas eficazes. É necessário integrá-los e analisá-los para transformá-los em evidências que orientem decisões. A interoperabilidade dos sistemas públicos é uma questão urgente, exigindo que informações sejam registradas com qualidade e que os profissionais sejam capacitados continuamente.

Iniciativas como o e-SUS Linha da Vida buscam integrar informações de saúde ao longo da vida dos cidadãos, utilizando o CPF para unificar registros e padronizar dados, com o objetivo de melhorar a qualidade das informações e a agilidade na produção de dados estratégicos.

A potência

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *