Projeto de lei gera polêmica ao exigir autorização de responsável para que idosos utilizem seus próprios recursos financeiros

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Proposta busca proteger idosos de fraudes financeiras com novo sistema de autorização

Os golpes financeiros contra idosos aumentaram significativamente nos últimos anos, levando à apresentação de uma proposta na Câmara dos Deputados. O Projeto de Lei, protocolado em abril de 2026, visa criar um sistema que permita a pessoas com 60 anos ou mais cadastrar um responsável para autorizar transações bancárias específicas.

A medida tem como objetivo principal aumentar a proteção contra fraudes, especialmente em operações digitais, como transferências, saques e o uso do Pix. No entanto, essa proposta levanta preocupações sobre a possível redução da autonomia dos idosos, um aspecto fundamental a ser considerado.

Embora qualquer pessoa possa ser vítima de fraudes bancárias, os idosos são frequentemente alvo de criminosos. A crescente digitalização dos serviços financeiros, embora traga benefícios, também facilita o surgimento de golpes mais sofisticados, que utilizam táticas de manipulação psicológica, falsas centrais de atendimento e pedidos de transferências urgentes.

A vulnerabilidade dessa faixa etária é exacerbada pela falta de familiaridade com ferramentas digitais. Além disso, muitos criminosos veem os idosos como alvos estratégicos, já que frequentemente possuem patrimônio, aposentadorias e benefícios que são pagos regularmente. Dados indicam que, em 2024, foram registradas mais de 72 mil denúncias relacionadas a golpes financeiros contra esse grupo no país.

O projeto propõe um sistema opcional onde o cliente poderá designar uma pessoa de confiança para validar operações financeiras. Essa autorização será necessária para transações como Pix e saques, mas o responsável não terá acesso direto à conta bancária do idoso.

Se aprovado, os bancos serão obrigados a oferecer esse mecanismo gratuitamente e permitir que os clientes personalizem seu funcionamento de acordo com suas necessidades. A expectativa é que as instituições financeiras implementem o serviço até o final de 2027.

No entanto, a proposta gera debates. A principal preocupação é que depender da autorização de outra pessoa para movimentar dinheiro pode levar à sensação de perda de autonomia e aumentar a dependência de familiares. Defensores da proposta argumentam que, por ser facultativa, a ferramenta serve como um recurso adicional de segurança para aqueles que desejam utilizá-la, sem substituir a capacidade de decisão do titular da conta. O projeto ainda precisa passar por análises nas comissões da Câmara dos Deputados e ser aprovado pelo Senado antes de seguir para sanção presidencial.

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