Polícia Federal deflagra Operação Zona Cinzenta para investigar irregularidades na previdência do Amapá

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Ação mira aplicação de cerca de R$ 400 milhões em títulos financeiros de alto risco pelo fundo estadual de aposentadorias

A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta sexta-feira (6 de fevereiro de 2026) a Operação Zona Cinzenta, com o objetivo de investigar possíveis irregularidades na administração dos recursos do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá (RPPS/AP), sob responsabilidade da Amapá Previdência (Amprev).

Segundo a corporação, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em Macapá (AP), autorizados pela 4ª Vara da Justiça Federal da capital, em endereços ligados à autarquia e a gestores do fundo previdenciário.

Foco da investigação

A ação concentra-se na aplicação de cerca de R$ 400 milhões em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master S.A. — instituição que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central, após sofrer grave crise de liquidez e violar regras prudenciais.

Os valores aplicados representam uma parte significativa do patrimônio do fundo previdenciário estadual, motivo pelo qual a PF quer apurar se a estratégia de investimento foi conduzida de forma temerária ou fraudulenta, colocando em risco os recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores.

Alvos da operação

Entre os alvos da investigação estão gestores da Amprev, incluindo o presidente da autarquia, Jocildo Silva Lemos, além de dois integrantes do comitê de investimentos — Jackson Rubens de Oliveira e José Milton Afonso Gonçalves — conforme apurado por veículos de comunicação que acompanham a operação.

Os mandados foram cumpridos tanto nos endereços pessoais dos investigados quanto na sede da própria Amprev. A investigação segue em andamento para verificar a participação de outros envolvidos e colher provas que possam esclarecer a linha de decisão que levou à aplicação dos recursos no Banco Master.

Crimes sob apuração

A PF informou que a apuração envolve principalmente os crimes de gestão temerária e gestão fraudulenta de recursos previdenciários, hipóteses que, se comprovadas, podem resultar em responsabilizações penais para os envolvidos.

A operação Zona Cinzenta integra esforços de fiscalização mais amplos sobre investimentos de Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) em aplicações financeiras consideradas de alto risco, especialmente após a liquidação de instituições financeiras em que grandes quantias foram aplicadas nos últimos anos.

Contexto financeiro e legal

Os RPPS, que administram os recursos de servidores públicos estaduais e municipais, devem seguir normas estritas de segurança e prudência na gestão dos investimentos, buscando preservar os recursos destinados ao pagamento de benefícios futuros. Aplicações concentradas em instrumentos sem garantia de liquidez podem comprometer a solvência desses fundos e gerar prejuízos ao patrimônio previdenciário.

A Polícia Federal ainda não divulgou detalhes sobre o desfecho da investigação, o possível montante de prejuízo ou a extensão total das diligências, mas informou que o inquérito continua em andamento e que novas medidas poderão ser adotadas conforme a evolução das apurações.

Foto/Fonte: Comunicação Social da Polícia Federal no Amapá

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