EUA impõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros; confira lista de itens afetados e isentos
Isenções de tarifas nos EUA impactam exportações brasileiras.
Itens como petróleo, café, carne, aeronaves e celulose estão isentos de uma nova tarifa de 25% que entrará em vigor nos Estados Unidos. Essa decisão é significativa, considerando que esses produtos são essenciais na pauta de exportação brasileira.
Apesar da nova cobrança, os principais produtos exportados pelo Brasil para os EUA não sofrerão essa penalidade, o que representa uma oportunidade de manutenção e até expansão do comércio bilateral. A medida foi anunciada em um contexto de tensões comerciais entre os dois países.
A lista de isenções inclui carne bovina, café, laranjas e sucos de laranja, petróleo bruto e gás natural, além de aeronaves civis e seus componentes. Também estão isentos produtos farmacêuticos, semicondutores e uma variedade de itens de madeira e pescados.
Por outro lado, a tarifa de 25% afetará produtos como etanol, máquinas agrícolas, vestuário e calçados, entre outros. Essa nova cobrança terá início em 22 de julho, mas não se aplicará a mercadorias já em trânsito para os EUA.
O governo americano indicou que a tarifa poderá ser revista ou suspensa, caso o Brasil tome medidas para eliminar práticas comerciais que são vistas como desleais. Essa ação se insere em um quadro mais amplo de tarifas que já eram aplicadas a diversos setores, especialmente aço e alumínio.
Tarifas adicionais e suas implicações
A nova tarifa se junta a um conjunto de medidas comerciais implementadas pelo governo Trump, que visam proteger a indústria americana. As tarifas existentes, baseadas na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial, já impunham custos adicionais a produtos industriais, refletindo a preocupação dos EUA com sua competitividade no mercado global.
As alíquotas da Seção 232 variam, com algumas chegando a 50% para produtos específicos. A nova tarifa, criada sob a Seção 301 da Lei de Comércio, busca responder a práticas consideradas prejudiciais aos interesses americanos, especialmente no que tange ao trabalho forçado.
O governo brasileiro está ciente de que as tarifas podem ser cumulativas, elevando o total para 37,5% em alguns casos. Essa situação exige um acompanhamento cuidadoso das regras tarifárias definidas pelos EUA, que podem incluir exceções para produtos já afetados por outras medidas.
Antes da nova tarifa, cerca de 46% das exportações brasileiras para os EUA estavam isentas de tarifas adicionais, enquanto 25% enfrentavam uma sobretaxa global de 10%. Essa nova realidade poderá pressionar ainda mais as relações comerciais entre os dois países.
Tensões comerciais em aumento
A investigação comercial envolvendo o Brasil abrange questões como desmatamento ilegal e o sistema de pagamentos instantâneos, que, segundo os EUA, pode prejudicar empresas americanas. O governo Trump argumenta que tentou negociar soluções, mas não obteve sucesso.
Os impasses nas negociações giram em torno de três temas principais: o sistema de pagamentos PIX, o acesso do etanol americano ao mercado brasileiro e uma proposta de isenção tributária para plataformas digitais. A resposta do governo brasileiro à nova tarifa ainda está sendo avaliada, conforme fontes do Palácio do Planalto.
O Brasil pode utilizar a Lei de Reciprocidade para responder a essas medidas, aplicando tarifas equivalentes em produtos americanos. Essa norma permite que o país reaja a sanções ou barreiras que considere injustas, buscando reequilibrar as relações comerciais.
