Coreia do Sul oferece R$ 70 mil a jovens para incentivá-los a se casar, mas eles rejeitam a proposta
Crise de natalidade na Coreia do Sul desafia esforços governamentais com incentivos financeiros.
Com um investimento de US$ 14 mil (aproximadamente R$ 71 mil), é possível cobrir diversas despesas, realizar uma viagem ao redor do mundo ou investir em um negócio. No entanto, essa quantia não é suficiente para unir dois sul-coreanos em matrimônio, formar uma família e ter filhos, necessários para enfrentar a grave crise de natalidade que o país enfrenta há anos. Algumas administrações sul-coreanas já disponibilizaram valores significativos em tentativas de atuar como “cupidos”, mas sem sucesso.
Os esforços do governo para encorajar relacionamentos têm gerado um efeito inesperado: a solteirice se transformou em um verdadeiro negócio.
Uma questão de amor… e dinheiro
Na luta para reverter a crise demográfica, a Coreia do Sul não hesitou em investir recursos substanciais. A lógica é simples: se a taxa de natalidade pode ser aumentada com incentivos financeiros, o governo está disposto a fornecê-los. Recentemente, autoridades propuseram a distribuição de “bônus para bebês” e incentivos fiscais para famílias com filhos, além de ampliar a licença parental e oferecer alimentos gourmet para novas mães.
Outra estratégia relevante tem sido a criação de programas de namoro, destinados a facilitar a busca por relacionamentos. Esses programas não apenas ajudam solteiros a encontrar parceiros, mas também oferecem suporte financeiro para que o custo de encontros não seja um impedimento. As estatísticas mostram que, na Coreia do Sul, as taxas de casamento e natalidade estão interligadas, com menos de 5% dos bebês nascendo fora do casamento.
De quanto dinheiro estamos falando?
Os programas de encontros na Coreia do Sul são frequentemente geridos por organizações regionais, resultando em variações de uma localidade para outra. Em Seul, o governo metropolitano considerou oferecer cerca de R$ 4 mil aos casais que se casassem na cidade. Em Busan, uma área metropolitana afetada pela crise demográfica, foram oferecidos incentivos ainda maiores aos novos casais.
Nesse contexto, um distrito de Busan, Saha-gu, anunciou um projeto piloto que oferecia US$ 360 (R$ 1,8 mil) para solteiros que conseguissem encontrar um par. Cada casal que saísse do evento de mãos dadas e planejando se reencontrar receberia US$ 700 (R$ 3,5 mil) para apoiar seu relacionamento.
US$ 14 mil
O programa de Saha-gu previa uma estrutura de apoio crescente ao longo do relacionamento, culminando em um presente de casamento de 20 milhões de won, aproximadamente US$ 13,6 mil (R$ 71 mil). O distrito também se mostrou disposto a oferecer auxílio adicional para a compra de uma casa ou para o aluguel dos recém-casados.
Essa abordagem é justificada pela realidade demográfica de Busan, que viu sua população cair de mais de 3,8 milhões no início dos anos 1990 para 3,4 milhões em 2010. A tendência é semelhante à do país, que, em 2024, se tornará uma “sociedade superenvelhecida”, com 20% da população acima de 65 anos.
Esses subsídios funcionam?
A questão que permanece é se esses incentivos realmente funcionam. Recentemente, uma análise revelou que, apesar da oferta de US$ 14 mil em apoio governamental, o programa de Saha-gu não teve sucesso significativo, com nenhum participante reivindicando a recompensa.
Além dos esforços governamentais, empresas e organizações religiosas também estão tentando mitigar a crise demográfica. Por exemplo, uma construtora ofereceu US$ 75 mil a funcionários com filhos, enquanto uma igreja concedeu quase US$ 1,4 mil a seus membros.
A grande questão
Diante de tantos incentivos, a pergunta que surge é: por que os sul-coreanos não se casam? Por que a taxa de natalidade continua tão baixa em comparação aos anos anteriores? Parte da resposta reside em mudanças sociais e culturais significativas.
Uma pesquisa recente indicou que três quintos dos sul-coreanos empregados não veem problemas em permanecer solteiros, um fator que se agrava com questões econômicas, como longas jornadas de trabalho e o alto custo de vida, além do peso financeiro de criar filhos em
